30 junho 2010

Mesmo distante


A cada dia estamos mais distantes dos que amamos. Distantes demais para passar um final de semana juntos; distantes até mesmo para um feriado prolongado. Estamos distantes no espaço, distantes no mundo. Até certo momento da vida, convivemos com os que amamos diariamente, compartilhamos preocupações e sucessos, contamos problemas e rimos das surpresas. Sentimos raiva deles, pois sabemos que no momento seguinte poderemos abraçá-los e sorrir, como forma silenciosa de desculpas. Distante não, não podemos nos dar ao luxo de reclamar, brigar, discordar com fervor até provocar uma discussão. Desculpas pelo skype ou MSN não contam. Desculpas sem abraço e beijo não são desculpas de verdade, ainda que o coração acredite que sim. Distante não podemos rir juntos, compartilhar a graça momentânea de uma piada inesperada, tão comum nos momentos de descontração. Distante compartilhamos apenas o que queremos, o que achamos apropriado e conveniente. Não queremos que aqueles a quem amamos preocupem-se conosco. Queremos que eles pensem no quanto estamos bem para que a distância, enfim, se justifique. Para que a distância faça algum sentido, mesmo diante dos fatos contrários. Mas ela não faz. Não naqueles dias em que acordamos com uma saudade que não cabe no peito e que parece gostar de ver-nos lamentar para, depois, lembrar-nos que somos os únicos responsáveis. De lembrar-nos que somos feitos por nossas opções. Mas eu não escolhi ficar distante. E então ela me lembra que sim, escolhi.