27 fevereiro 2009

A capital que dorme

Mingau de tapioca e bolo de macaxeira: delícias noturnas do Acre

Vários municípios podem ser chamados de "cidades que não dormem", embora o título remeta primeiramente à capital São Paulo. Para mim, seria possível encontrar serviços básicos 24 horas em qualquer lugar, ainda mais em uma capital como Rio Branco (AC).
No entanto, dia desses precisei de um medicamento às onze horas da noite e, para minha surpresa, não encontrei farmácia que realizasse entrega após às dez da noite, apesar de uma delas fazer plantão. Também não há caixas eletrônicos 24 horas aqui e só há uma opção para comer durante a noite.
Acredito que esse conceito de "24 horas" ainda não tenha chegado aqui por essas bandas, o que, em partes, é bom. O estresse diminui, as pessoas descansam mais, a cidade fica menos caótica, mais tranqüila. Porém, com o conceito de vida atual fica difícil imaginar como viver assim.

Bom, mas voltemos à opção noturna para um lanchinho (nem tão "inho" assim, já que podemos encontrar nada menos que baixarias, bolos de macaxeira, mingau de tapioca e banana, enfim, coisas fortes e muito saborosas). Isso se dá no chamado mercado velho, onde existem espécies de quiosques que vendem as iguarias acrianas durante a madrugada.
Explicando: baixaria é uma misturinha básica de arroz, farinha, ovo... ideal para um fim de noite!

18 fevereiro 2009

Uma das maravilhas


Estava acostumada a encontrar suco de laranja em qualquer barraquinha no centro da cidade em que morava. Coisa simples, básica, refrescante e muito gostosa. Por isso, em plena tarde de sol a pino em Rio Branco, parei em um quiosque na praça central e pedi o tradicional: suco de laranja!
Uma cena corriqueira se o rapaz não me respondesse "Laranja não tem. Tem maracujá e cajá".
Cajá. Ok, sabia que existia, é claro, Raul já o cantava. Mas nunca vi um. Pedi para experimentar, num copinho pequeno, fácil de engolir caso não me agradasse. Mas fui surpreendida. Uma delícia, simplesmente uma delícia o suco de cajá. Nosso tradicional suco de laranja não é tão comum aqui no Acre, no entanto, tem substituto a altura. Recomendo a todos que vierem. Para mim, já virou "o de sempre".

A viagem

Estou morando no Acre, um dos estados da Amazônia. Cheguei aqui após uma longa viagem de sete dias (com parada de três em Rio Quente, é bem verdade) em que atravessei Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Rondônia antes do destino final. Cansativo, porém muito interessante.
Durante o trajeto pude observar as diferenças mais marcantes entre cada estado, como a cultura predominante e a condição de vida. Goiás e Mato Grosso parecem tapetes de soja, com um trânsito de caminhões ininterrupto que destrói a malha viária.
A precariedade dos municípios do Mato Grosso também me chamou atenção. O asfalto parece não fazer parte da vida dos matogrossenses que vivem nas dezenas de pequenas cidades pelas quais passamos.
A situação também não é muito diferente em Rondônia, estado claramente dividido entre antes e depois da balsa. A impressão que se tem é de que as cidadezinhas do outro lado ficaram esquecidas em algum ponto da história pelos governantes.
Em vários pontos da estrada víamos placas indicando ESCOLA e quando olhávamos havia uma casa ribeirinha, de madeira, um tanto quanto antiga, com uma enorme varanda onde, provavelmente, se aglomeravam as crianças em dias úteis.
Bom, o limite entre Rondônia e Acre é praticamente imperceptível se levarmos em consideração as características das cidades e da estrada. Mas uma placa indicava que estávamos nos aproximando de Rio Branco.
A capital tem uma entrada linda, reformada como todas as suas avenidas e a área central. Apesar do tempo nublado com o qual nos deparamos, e que persiste até agora, o excessivo calor já podia ser sentido.
Um mês de pois e ainda me sinto deslocada e parte desconexa na lógica dessa cidade de quase 300 mil habitantes, incrustada em plena Amazônia. Mais impressões nos próximos posts...