08 abril 2008

O termômetro da imprensa

Os bombeiros de Guarulhos, São Paulo, encontraram uma criança dentro de uma tubulação de esgoto. Ainda não se sabe seu nome nem idade, apenas que é uma menina. A polícia está investigando o caso. Desconsiderando-se a hipótese (remota) de que essa criança tenha caído sozinha na tubulação, pressupomos que ela tenha sido jogada por alguém. E não se deve demorar muito para descobrir quem, pois em casos como esse, normalmente, os responsáveis são pessoas próximas da criança.
Foi assim nos recentes (mas esquecidos) casos de bebês jogados em represas, córregos, baldes e bueiros. No ano passado houve uma quantidade surpreendente de situações como essas, inclusive no Paraná. Como todo o Brasil, estou sim chocada com a morte da pequena Isabela Nardoni. E mais chocada ainda com a possibilidade de ter sido seu pai o executor. No entanto, diariamente chegam ao nosso conhecimento tantas notícias chocantes envolvendo bebês, crianças e adolescentes e que não ganham a mesma repercussão.
Em Maringá (PR), no final do ano passado, uma menina de 10 anos foi estuprada, morta e teve seu corpo carbonizado por um monstro que, felizmente, está atrás das grades. Não me lembro de ter visto esse caso no Jornal Nacional, mesmo tendo dose bastante superior de crueldade para com a criança. Não houve reconstituição do crime nem pedido uníssono - da imprensa e sociedade - para que achassem o assassino.
Não estou de forma alguma minorizando a morte trágica dessa garota, fruto, certamente, do sentimento doentio de algum adulto. No entanto, questiono os parâmetros da imprensa no julgamento dessas situações. Isabela era de classe média. Será esse o termômetro que indica a relevância do caso? De qualquer forma, que não se repita o Caso Escola Base por parte da imprensa e que o assassino da garota seja punido. Bem como aquele que tenha jogado essa outra criança no esgoto.