03 março 2008

O princípio da vida

Minha prima está grávida. Ontem, conversávamos sobre a evolução de seu bebê cujo coração ela já pôde ouvir, com apenas um mês e meio de gestação. Segundo explicações de seu médico, o feto já tem olhos e formará seus dedinhos – embora ainda indefinidos – nas próximas semanas. “Em quatro meses - finaliza ela - ele estará prontinho, com todos os órgãos, depois é só crescer”.

Ela está com menos de dois meses de gestação e já escuta o coração de sua pequena cria, ainda invisível aos olhos de seus avós, primos e tios. Isso deixa alguma dúvida de que ao realizar um aborto injustificado a mulher está cometendo um homicídio? Para mim não. Mas acredito que apenas quem já foi ou será uma verdadeira mãe pode defender com propriedade essa tese sem ser vista como “católica conservadora”.

Ponto para incluir nova opinião. Sobre assunto semelhante, porém não idêntico.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá nesta semana quando começa a vida, ou seja, se as pesquisas com células-tronco são constitucionais – como determinou a Lei de Biossegurança de 2005. O ministro Carlos Alberto Menezes Direito, representante da Igreja Católica no STF, tem voto declarado, bem como o ministro Carlos Ayres de Brito na posição contrária. Analistas apostam que o Tribunal referendará a lei e, dessa forma, liberará as pesquisas.

Tanto melhor, pois os embriões in vitro não são como o meu priminho que se desenvolve lentamente dentro do útero de minha prima. Sem a inserção no corpo da futura mãe, não há ser humano – a não ser na visão daqueles que consideram a criação de homens em laboratórios. O julgamento do STF deve durar dois dias e, espera-se, que a ciência em defesa da vida vença o conservadorismo retrógrado.