25 fevereiro 2008

Abaixo o preconceito!


O site do Estado de S. Paulo noticia hoje que o Brasil irá liderar uma campanha internacional pelo fim das restrições de viagem ao exterior para portadores de Aids. Em 12 países, os soropotivos são barrados e a situação mais grave ocorre nos Estados Unidos, onde estes não podem sequer fazer turismo.

Junto à matéria há uma enquete para que os leitores se manifestem a favor ou contra a restrição imposta por esse grupo de países. Votei e dei uma olhada nas estatísticas com a absoluta certeza de a maioria seria contra a tal restrição. No entanto, qual não foi o meu espanto quando me deparei com 67 votos a favor da atitude contra 45 que compartilhavam de minha opinião avessa.

Diante disso, conclui-se que os países que barram a entrada dessas pessoas simplesmente por possuírem HIV não agem impositivamente, mas, ao que se vê, com o aval da maioria de sua população. Me espanta que um preconceito tão antigo e desnecessário ainda perdure na sociedade brasileira e em outras consideradas ainda mais desenvolvidas.

Como disse sabiamente a líder da campanha encabeçada pelo Brasil, a Aids não é transmitida pelo ar, portanto, não há motivo para tanto medo do contato com portadores. Vivemos um tempo em que ser preconceituoso tornou-se sinônimo de ignorância e tais pensamentos não são tolerados pela massa, ficando restritos a pequenos grupos. Se isso vem se firmando no que diz respeito aos negros e deficientes, o que dizer o preconceito contra aidéticos?

Será essa a nova modalide de "racismo" praticada por aqueles que insistem em se considerar superior ou perfeito? É possível que as campanhas realizadas pelo fim do preconceito contra a Aids não estejam surtindo resultados eficazes ou é possível que apenas aquele grupinho preconceituoso tenha votado na enquete.

Será que essa nova modalidade de discriminação está tomando a frente como a principal do futuro?

22 fevereiro 2008

Olhe o seu umbigo!

O pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, provável vencedor das prévias do partido para a eleição deste ano, afirmou nesta sexta-feira esperar que o ex-líder cubano Fidel Castro morra logo.
McCain disse também que Raúl Castro, irmão de Fidel e seu provável substituto no poder, seria um líder ainda pior. "Espero que ele (Fidel) tenha a chance de encontrar-se com Karl Marx muito em breve", afirmou McCain em um encontro com cerca de 150 pessoas, referindo-se ao teórico comunista morto em 14 de março de 1883.
Fidel, 81 anos, anunciou na terça-feira que estava abandonando os cargos de presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas, após 49 anos no poder. Raúl Castro deve ser nomeado como o novo chefe de Estado de Cuba no domingo.
"Aparentemente, ele está tentando patrocinar Raúl, o irmão dele", afirmou McCain. "Raúl é ainda pior do que Fidel em muitos aspectos." A postura do senador em relação a Cuba tem, em linhas gerais, sido semelhante à adotada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, responsável por intensificar o embargo econômico sobre a ilha caribenha e que rejeitou aliviar as sanções sem uma transição democrática na ilha.
McCain, popular entre os cubano-americanos conservadores, também disse que, se vencer a eleição presidencial de 4 de novembro, manteria as pressões políticas para que Cuba promova reformas e abandone o sistema de partido único. Isso incluiu a proibição de viagens à ilha e as sanções comerciais e financeiras aprovadas poucos anos depois de Fidel ter conquistado o poder, em 1959, por meio de uma revolução.
McCain, 71 anos, um ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, denunciou a participação de cubanos na prática de torturas contra alguns de seus colegas de cárcere em Hanói, durante o conflito.


Fonte: Portal Terra

A notícia acima foi veiculada hoje por vários sites e estampará amanhã, certamente, a capa dos principais jornais do país. John McCain e Fidel Castro vêm travando uma batalha silenciosa há alguns meses, desde quando o agora ex-líder cubano decidiu dedicar ao provável candidato republicano seus artigos no jornal oficial de seu país.

Na última semana, Castro classificou o desafeto norte-americano como "integrante da máfia de Miami", onde está a maioria dos exilados cubanos fugidos do regime de repressão. O que me espantou na notícia, no entanto, foi a afirmação de Mccain desejando que Castro se reúna logo com Marx. Como diria José Simão, "mais direto impossível"!

Ideologias à parte, a rixa entre os extremistas Cuba e Estados Unidos, que têm convicções paralelas, ou seja, que nunca irão se cruzar, expõe cada vez mais os erros e defeitos de ambos os lados. McCain denunciou a tortura de norte-americanos por cubanos durante a Guerra do Vietnã (conflito, ressalte-se, estimulado pelo próprio tio Sam). E o que eles fazem em Guantanamo não se encaixa no quesito tortura?

E as outras guerras estimuladas por puro interesse norte-americano, como a do Iraque, sob o pretexto de imprimir a democracia a povo desprovido dela? Isso tudo depõe contra os estandartes do capitalismo, assim como a matança promovida durante a Revolução Cubana depõe contra Fidel. A despeito de índices sociais invejáveis, a população do único país com pretensões comunistas no mundo vive tentando se encaixar nos moldes do mundo atual, com melhoria de renda e liberdade para comprar o que bem entender.

Quem está certo? Nenhum dos dois. Um, por estimular o consumismo desenfreado - que já resultou no individualismo e está firmando o estilo "workaholic" de viver como correto -, o outro, pela hipocrisia de tentar forçar uma igualdade - que seria o ideal - , mas que, no entanto, nem ele próprio praticava (vide sua fortuna de US$ 500 milhões, dados de 2005).

A política da repetição

Hoje, li uma edição de dezembro de 1991 do jornal em que trabalho, a Tribuna do Norte, de Apucarana (PR). Eis que, como estimulante para meu senso crítico, me deparo com a manchete de capa "Ruas de Apucarana em situação de calamidade" seguida de duas mega fotos de asfaltos em pedaços. Não estou aqui para criticar, pessoalmente, a administração do município, pois não seria de interesse dos leitores. No entanto, exponho a situação como um exemplo da política descompromissada e fraudulenta com que convivemos há tantos anos.
Ainda hoje, as matérias sobre a má qualidade do asfalto são constantes no nosso jornal e, certamente, será a principal opositora do atual prefeito nas eleições deste ano. A história se repete. Ou melhor, não muda. Assim como no município, a níveis estaduais e nacional revivemos os mesmos problemas anualmente. Exemplo recente são as enchentes em São Paulo em dezembro passado. Todos os anos acontece a mesma coisa, com os estragos ocorrendo nos mesmos locais - embora com o passar dos anos atinjam áreas cada vez maiores - e ninguém se mexe para remediar o problema.
Também em Uberlândia (MG), onde uma pilha de carros se amontou na avenida central da cidade, no mesmo período, de acordo com moradores o problema é anual, praticamente com data marcada.
O descaso tornou-se a principal patologia da política brasileira, adoentada pelos escândalos sucessivos de corrupção, pelo nepotismo, pelo fisiologismo e outras mazelas. A solução para o quadro passa por uma série de mobilizações em diversos setores, mas deve começar pela Justiça, que deixa escapar os lesadores do erário público.
O candidato à presidência nas últimas eleições, Cristóvam Buarque, afirmou em debate algo que poderia iniciar esse processo de transição entre a podridão e a lisura: extinguir o termo corrupto. Não é corrupto, é ladrão mesmo! Por que os batedores de carteira são assim chamados por roubarem o salário de algum trabalhador e aqueles que furtam o direito de melhor educação e saúde de uma gama de brasileiros não o são?
Uma simples mudança etimológica provocaria a reconstrução do termo "político" para os brasileiros. De simples corruptos (assim digo porque a corrupção não é encarada como o crime hediondo que realmente é) eles passariam a ladrões, assim como aqueles que invadem nossas casas e furtam nossos objetos. Não seria a transformação completa, mas um pontapé inicial para outras atitudes solucionadoras do caos como, por exemplo, a punição desses criminosos.

20 fevereiro 2008

O que os olhos dizem


A foto da esquerda, de autoria de Steve McCurry, tornou-se conhecida ao estampar uma edição da National Geografic, com o título Menina Afegã. A garota, de nome até então desconhecido, tinha 12 anos na época. O que mais chamou a atenção na belíssima composição da foto foram seus olhos, extremamente vivos e verdes. Na foto da direita, 18 anos depois, o mesmo detalhe me inquietou.
Seus olhos já não brilham; seu rosto aparenta bem mais idade do que os 30 anos que realmente tinha. Os defensores da opinião de que uma foto fala mais que mil palavras iriam se deleitar com esses dois cliques. Como a inscrição na foto diz (UMA VIDA REVELADA), a expressão no olhar da afegã revela muito sobre sua vida sofrida. Através deles, é possível imaginar seu sofrimento como refugiada da guerra no Paquistão; a distância da família; o casamento precoce e a geração sem cuidados de seus três filhos.
Diante de tal comparação, o poeta reafirmaria que, realmente, os olhos são o espelho da alma e o relevador dos segredos que se pretendem mais ocultos.

15 fevereiro 2008

Verbo solto


Proponho-me a falar mais. Sobre minhas angústias, opiniões, sentimentos e quaisquer banalidades que entretenham meus interlocutores. Embora pareça promessa de fácil cumprimento, para mim não o é. Sempre vi no silêncio uma dádiva dos sábios e, por isso, recuso-me a cair no lugar comum de lançar piadinhas sem graça com o simples intuito de quebrar o gelo das conversas entre pouco conhecidos.
Falar demais gera uma exposição desnecessária, vizinha da carência de amor próprio e que deixa transparecer a falta de conteúdo maquiada pelo extenso palavrório. Apliquei tal verdade durante o decorrer da minha vida e o ato de calar acabou dominando-a por completo, passando de um silêncio bem aplicado à sisudez constante.
Dei-me conta disso dias atrás e nada há de mais valoroso que reconhecer um defeito e dispor-se a mudá-lo. Já estou fazendo isso e, para minha surpresa, colhi alguns poucos resultados que têm me impulsionado a continuar.
Estar mais comunicativa tem feito as pessoas me notarem e a impressão que tenho é de que passei a ter voz ativa do dia para a noite (não descarto a possibilidade de essa percepção ser psicológica, fruto de minha intenção de mudança).
O fato é que fiz muitas promessas na passagem de ano e a única transformação que realmente pus em prática até o momento não havia sido colocada em nenhuma semente de romã. Apenas percebi que nada há de menos astuto que calar quando há o que ser dito.