15 janeiro 2008

Pertinente comparação



Outro dia assisti a um trecho de não sei que programa, em uma emissora imprecisa, em que um violeiro do qual não sei o nome tocava músicas típicas de vários países. (Essa não é a introdução para um texto sobre alsheimer)
No meio dessa falta de informação toda, apreendi uma interessante afirmação (ao menos isso) deste indefinido artista. Algo sobre o qual não pensara antes e que me pareceu bastante sensato. Enquanto contava histórias sobre as touradas da Espanha, o violeiro afirmou:


“Quisera eu que as guerras fossem como as touradas: os interessados brigam até a morte e o vencedor tem a honra de ser carregado nos ombros da torcida perdedora”.


Fã de comparações e analogias como sou, gravei a frase na hora e me propus a escrever algo sobre ela. Acabei deixando de lado por alguns dias, até que abri a Folha de S.Paulo de domingo e me deparei com o artigo “O lamentável custo das guerras”, de Antonio Ermírio de Moraes. Nele, quase que obviamente, o assunto é o custo trilionário da infundada Guerra no Iraque para os cidadãos norte-americanos.
Apenas em 2008, cada um deles deverá gastar, indiretamente, US$ 5 mil para sustentar o vergonhoso conflito. Milhares de civis e soldados iraquianos, americanos, ingleses e de várias outras nacionalidades, além do ex-presidente do país, Saddam Hussein, já morreram, mas não o suficiente para frear o governo de George W. Bush.
Dito isso, destaco a grande assertiva do violeiro ao lembrar-me que, enquanto o sangue jorra nas terras iraquianas, Bush permanece confortavelmente sentado em sua cadeira de presidente na Casa Branca, com o ar condicionado ligado, e sem sentir o sol ardente cheirando a pólvora que exala do país oriental.
Que chamem os touros!

Ah, essa dúvida!

Sempre considerei a indefinição um de meus maiores defeitos. Sabe aquela dúvida sobre gostar ou não de tal político, saber ou não se o trabalho de tal ator merece reconhecimento ou avaliar como benéficas ou não medidas sociais implantadas pelo governo?
Acredito que todos tenham passado por isso ao menos uma vez na vida. E essa indefinição (que não igualo a indecisão) sempre me cheirou mal. Enxergava-a como resultado de uma possível falta de conhecimento a respeito de assuntos palpitantes na política e sociedade. Eis o motivo de meu alívio ao ler a coluna de Carlos Heitor Cony publicada na edição do último domingo da Folha de S.Paulo e ontem no site do Comunique-se.

Logo na primeira frase, a coluna, intitulada “Chávez e a mídia”, trouxe-me conforto: “Como na maioria dos assuntos que preocupam a humanidade em geral e, em particular, a humanidade de hoje, não tenho opinião formada sobre o atual presidente da Venezuela.”
Que maravilha! Deixei, por algum tempo, de sentir-me um ser desprovido de opinião para incluir-me – arbitrariamente – no rol dos intelectuais que, de tanto conhecerem, não sabem limitar-se entre a classificação de “bom” e “ruim”.
Como Cony, vejo coisas positivas e negativas em Chávez. Estas, não suficientes para concordar com tudo que os imperialistas (sim, eu concordo com ele nisso) dizem de seu governo e aquelas, também insuficientes para defendê-lo dos ataques de capitalistas.
Por um longo tempo me perguntei - e ainda não dirimi essa dúvida por completo - se isso chega a ser posição ou se simplesmente fico “em cima do muro”. A afirmação de Cony deu-me certo alento para dizer com firmeza que simplesmente não tenho opinião formada a respeito, porém, posso debater o tema com eloqüência.
Ao mesmo tempo, passou-me pela cabeça a possibilidade de que a afirmação do experiente jornalista seja apenas uma modéstia de profissional já consagrado. Será? Vou pensar melhor sobre o assunto.

03 janeiro 2008

Chegamos a 2008


2008 chega para nós com a prerrogativa de um ano realmente Novo. Foi o que disse a taróloga que entrevistei para uma reportagem de fim de ano. Renovação na política local, acirramento do aquecimento global e problemas familiares causados pelo uso de drogas foram algumas das "adivinhações" da minha entrevistada.

Ok. Novidades até aí? Não. Nunca vi alguém dizer que no ano que chega tudo correrá na normalidade, como vinha acontecendo no anterior. "Não haverá mudanças drásticas. Talvez uma perda de emprego aqui, uma conquista ali, nada de determinante que possa classificar esse ano como NOVO". O vidente que disser isso estará com os dias fatalmente contados na carreira profética.

Por que? Porque somos insatisfeitos. Corremos atrás de pessoas que possam nos dizer que algo irá melhorar, mesmo que estejamos com a vida tranqüila. Queremos sempre mais, embora pouco façamos para conquistá-lo.

Fiz uma simpatia na noite de Ano Novo. Comi cinco sementes de romã e depois joguei outras sete para trás. Claro que não sem antes fazer um pedido. Ok. Não me considerado supersticiosa, mas nunca se sabe... Prometi mil coisas para mim mesma as quais sei, agora, que não cumprirei a metade.

Jurei ir à missa com mais freqüência;

Dizer a meus pais e irmã que os amo diariamente;

Passar mais tempo com meu namorado;

Distribuir currículos na cidade grande;

Dar idéias inovadoras no trabalho;

Cortar o cabelo e aceitá-lo como é;

Fazer atividade física;

Comer mais rúcula e menos chocolate;

Beber menos cerveja;

Ligar para os antigos amigos;

Ler mais e escrever na mesma quantidade;

Comprar um carro;

Sair de casa;

Etc.

Mas amanhã, acordo e tudo continua igual, sem que chegue o momento epifânico em que começarei a agir em benefício de meu pedido feito às romãs. Ou será que elas agem por conta própria? Quem me ensinou a simpatia não deixou isso claro...