12 julho 2007

O personagem de Calheiros


Fernando Rodrigues, em seu artigo na Folha de S. Paulo de ontem, comparou a atitude de Renan Calheiros com a de Joseph K. Para ele, o presidente do Senado está querendo se igualar ao complexo personagem de Franz Kafka (O Processo), que passa toda a narrativa respondendo a um processo do qual não conhece a acusação.
Para justificar a comparação, Rodrigues destacou o discurso de Calheiros na última terça-feira, em que disse: “Não sei do que estou sendo acusado”. Realmente, Joseph K. também não sabia por que – nem do quê - estava sendo acusado. No entanto, quem leu o livro sabe que ele próprio, no decorrer da narrativa, acaba incorporando o papel e agindo como culpado.
Por essas e outras posso garantir que Calheiros não age intencionalmente como o personagem. Ou no mínimo, se o faz, não conhece o desfecho da história. (O livro, na realidade, não foi concluído por Kafka, mas a narrativa termina em um ponto de grande desvantagem para o protagonista)
Poderia até sugerir aos companheiros senadores para que Calheiros seja comparado à Joseph K. e tenha o mesmo fim do personagem Kafkaniano, degolado no final do livro. Metáforas à parte, a cassação já seria suficiente.

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