28 janeiro 2007

Sobre o leite derramado

A crise aérea brasileira já existia, no entanto, foi preciso que um Boeing caísse, matando 154 pessoas, para que o governo federal admitisse os problemas e fizesse algo para saná-la (estamos esperando a solução ainda). Na esfera estadual, o mesmo aconteceu com as obras no metrô da Lina 4, em São Paulo. O Jornal da Band mostrou outra estação da mesma linha, onde as obras estão paralisadas há três meses. Por quê? Porque as casas e escritórios ao redor estão com rachaduras. Ou seja, o problema também já existia, era conhecido, mas foi preciso um desabamento que deixou sete vítimas para que viesse a público.
Em Apucarana, fato ocorrido na última semana se encaixa nesta lógica de "tapar o sol com a peneira", comum aos governos brasileiros. Um jovem cinegrafista foi morto no aeroporto da cidade, após ser atingido pelo trem de pouso de um jato particular. O rapaz filmava a decolagem do avião a pedido de um grupo de empresários. Isso mostra o que a gente já sabia, mas nada fez para mudar: o aeroporto de Apucarana não tem estrutura para funcionar. Se tivesse, um responsável pela fiscalização da área teria informado ao cinegrafista que era proibido fazer a filmagem daquele local. A Prefeitura deve responder pelo incidente, bem como o grupo que fretou o jato.
O próprio assessor de imprensa da prefeitura confidenciou a nós, jornalistas, que a responsabilidade vai recair sobre a prefeitura, já que "se um traficante quiser descer de avião no aeroporto, transportando droga, ele desce. O vigia não vai barrar uma pessoa que estiver de terno e gravata e botar panca de empresário", afirmou. Tragédias que poderiam ser evitadas se o poder público assumisse suas incapacidades e não tentasse tocar projetos inviáveis. Isso fica bem pior para a opinião pública.

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