30 outubro 2006

Absurdo

Quem não acompanhou a entrevista coletiva do governador reeleito, Roberto Requião, hoje à tarde, acesse o site da rádio CBN Curitiba: www.cbncuritiba.com.br e baixe os áudios. São longos, mas é imprescindível que essa entrevista seja ouvida por todos os cidadãos, especialmente os jornalistas.
O desrespeito com a classe chega a um nível tão baixo que eu me perguntei como alguém que demonstra sinais de um problema mental muito sério pode governar um estado rico como o nosso. O governador muda em poucos segundos da ternura, quando agradece a todos e lembra que também é jornalista, para a grosseria. Quem não tem o mínimo respeito por uma classe relevante como a dos profissionais da informação, terá por quem?
Esse homem demontra ser capaz de tudo quando fala o que lhe vem a cabeça. E ainda tem a coragem de dizer que respeita as pessoas. Respeita quem? Só se for a mãe dele. Vocês devem se recordar que ele já mandou os agricultores "meterem a faixa no rabo"; disse que estava fazendo "criação de PMs"; entre outras coisas esdrúxulas.
Com um presidente ignorante e um governador sem escrúpulos, onde vamos parar?

Macaco Simão

Acabei de assistir ao programa "Monkey News", na TV Uol, com José Simão e Rodrigo Flores. O Simão tem uma coluna diária no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo. O cara é divertidíssimo, além de boca suja. O assunto do programa, como não poderia deixar de ser, foi a reeleição do presidente Lula.
Simão explica: Lula não é reeleito, ele é repetente!
O principal slogan da campanha do petista (muito bom por sinal) "Deixa o homem trabalhar", foi alvo de duas críticas de Simão.
Deixa o homem trabalhar! Ele não faz isso há 15 anos!
Deixa o homem trabalhar?!? Não, deixa ele quieto que é melhor!
A enquete do dia no programa é bem pertinente: Por que dona Marisa Letícia (a primeira dama) é muda???
Em relação ao Geraldo Alckmin, estraçalhado nas urnas, Simão diz que ele divulgou mais o chuchu do que o Alckmin, por isso não fez votos. E completou: Se colocassem a foto de um chuchu na urna eletrônica, ele teria mais votos! Coitaldo do Geraldo!
O apresentador lembrou da devoção de Alckmin à Igreja Católica. Ele é um bom devoto, mas é ruim de voto!!!
Zé Simão aposta que a primeira medida do presidente Lula será abolir o plural. é o Prural Zero!

Comparação oportuna

O assunto "eleições" domina todos os locais hoje, todos os diálogos, seja com quem for. Até mesmo aquela recepcionista desinteressada de política, perguntou: - O que você achou da eleição?
Um colega de trabalho, revoltado como ninguém com a vitória do Lula, disse que não vota mais, por convicção. Ele votou no petista em 2002, assim como eu, com a esperança de que ele resolvesse os problemas de desigualdade no país. Esse colega fez uma comparação muito oportuna sobre a atitude do governante.

- O Lula foi como um pai que promete um brinquedo para o filho o ano inteiro e em dezembro fala que não tem dinheiro para comprá-lo. Aí, o filho sai e vê o pai na zona, bebendo nos bares...

Usando metáforas, como o presidente adora fazer, essa foi a melhor definição da atitude do Lula que já ouvi!

28 outubro 2006

Bobagem

É bom ter nome e sobrenome. Estava acostumada a que todos me chamassem de Ciça, Ceci, Ce, e quando tive que escolher meu nome para assinar matérias fiquei na maior dúvida entre o 'França' e o 'Cardoso'. Nenhum parecia me pertencer. Hoje, quando alguém me chama 'Cecília França', me sinto bem, como se fosse algo mais importante.
Que besteira!

24 outubro 2006

Assessoria que f*




Desculpem o título mal criado, mas a assessoria de Geraldo Alckmin está ferrando com ele. Quer dizer, já ferrou! Ontem, me aventurei a tentar assistir o debate entre ele e Lula, na Record. Não consegui.
Assisti apenas o primeiro completo, na Band. Em parte, porque estava curiosa para ver a atuação dos candidatos. No SBT, eles começaram repetindo a mesma ladainha do anterior. Desliguei a TV e fui dormir.
Ontem, Alckmin teve a oportunidade de fazer a primeira pergunta e, para a minha surpresa, falou sobre corrupção. Misericórdia! Que m* de assessor é esse que não vê que nesse assunto o presidente tira de letra, sai por cima da carne seca. Porque é escolado, sabe convencer os eleitores.
Em resumo, Alckmin levantou a bola para Lula cabecear. Aí ele pôde dizer que nunca ouve combate a corrupção como há agora, que antes a corrupção era jogada para baixo do tapete, enfim, o tiro saiu pela culatra.
Dias atrás, o porteiro do jornal me disse que os candidatos deveriam explicar, para os mais humildes, o quê é dossiê, o que significam todas essas palavras que têm a ver com corrupção, porque eles não entendem. O Alckmin pautou sua campanha em cima disso e se ferrou.
Vai se dar mal nas urnas porque não sabe falar com o povo, mostrar o que realmente mexe com o bolso (diretamente, claro, porque a corrupção traz prejuízos irreparáveis, éticos e financeiros).

Banalização do hediondo

Dia desses, conversando sobre a banalização da violência, cheguei a conclusão que crimes hediondos não nos chocam mais. Sinto-me realmente mal em pensar assim, mas hei de admitir: infelizmente, o bombardeio de notícias ruins tem-nos feito acostumar, sim, com a violência gratuita. Dias atrás, um homem matou uma jovem prostituta e enterrou o corpo no quintal de sua casa.
Isso aconteceu aqui mesmo, em Apucarana. E esse homem foi preso com cara de quem havia roubado uma moeda de R$ 10. Pergunte-me se houve indignação na cidade, ou mesmo dentro da redação do jornal? Não! Todos diziam “que coisa horrível”, mas no fundo não sentiam isso como um horror que prenuncia a desvalorização completa da vida.
Mas estou fazendo todo esse nariz de cera* para falar de notícias que me preocuparam muito nas últimas semanas.
Primeiro, em Sabáudia, distrito de Arapongas, no Norte do Estado, uma mulher deu à luz dentro de um balde e deixou a criança lá dentro. Detalhe: o balde era usado por uma família de seis pessoas para defecar.
Dias depois, em Ortigueira, no Centro do Estado, uma mulher enterrou seu filho recém nascido em um buraco de tatu. A criança sobreviveu porque vizinhos ouviram seu choro.
Logo depois, vi uma outra notícia, creio que do estado de São Paulo, dizendo que uma mulher seria processada por ter jogado seu filho no lixo, amarrado dentro de um saco plástico. Nesse caso a criança morreu.
O detalhe que me surpreendeu nessas notícias é a força desses pequenos seres, que sobreviveram a situações desumanas. No entanto, os pobres serão criados, possivelmente, por famílias estranhas, ou até mesmo sem.
Fico muito preocupada que atitudes como essas comecem também a serem consideradas normais e ninguém mais se preocupe com a prevenção, com o “controle de natalidade”.
Existe algo mais desumano do que jogar fora o seu filho recém nascido? Certamente não. Por isso afirmo que mulheres assim não nasceram para ser mães, elas não merecem.
*Enrolação do jornalista antes de entrar direto no assunto da matéria.

21 outubro 2006

Absurdos que ainda acontecem no Brasil!

E-mail que recebi e me deixou novamente indignada com as incoerências legais que existem no nosso país. Em breve, os poucos empresários que investem na educação de seus funcionários serão desestimulados a continuar com essa benfeitoria. A experiência que se segue foi vivida pelo Sr. Silvino Geremia, um empresário de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Este texto foi matéria da Revista EXAME.
Fui multado por pagar escola para os meus funcionários
Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam este país: investir em educação é contra a lei. Vocês não acreditam? Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa. Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá. Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo.
Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredorou um técnico. Este ano um fiscal do INSS visitou a empresa e entendeu que educação é salário indireto. Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.
Tenho que pagar 26 000 reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários? Eu acho que não. Por isso recorri à Justiça. Não é pelo valor, é porque acho essa tributação um atentado. Estou revoltado. Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1 000 vezes. O Estado brasileiro está falido. Mais da metade das crianças que iniciam a 1a série não conclui o ciclo básico. A Constituição diz que educação é direito do cidadão e dever do Estado. E quem é o Estado? Somos todos nós.
Se a União não tem recursos e eu tenho, eu acho que devo pagar a escola dos meus funcionários. Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado. Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz. Se a moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vãorecuar. Não temos mais tempo a perder. As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas.
A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos. Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz. Vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum. Sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo. Completei o 1º grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica.
Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta detempo. Eu precisava fazer minha empresa crescer. Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar. Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo. A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade.
O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais. Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe. Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça. Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer. E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade.
O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualqueraproveitamento prático na Geremia. No mínimo, ele trabalhará mais feliz. Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz. Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados. Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado duas Mercedes. Teria mandado dinheiro para fora do país e não estaria me incomodando com leis absurdas. Mas não consigo fazer isso.. Sou um teimoso.
No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta. Quem vai fazer no seu lugar? Até agora, tem sido a iniciativa privada. Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado. As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais.
Com esse alerta temo estimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários. Não é o meu objetivo. Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso: as pessoas. Eu sou mesmo teimoso.

10 outubro 2006

Por isso ele não abre o sigilo






Foto já publicada anteriormente: estão rindo da nossa cara!


No debate entre os candidatos à presidência da República, anteontem, Geraldo Alckmin (PSDB)perguntou ao presidente Lula (PT) se ele abriria o sigilo de seu cartão corporativo. Lula respondeu com ironia:
"Alckmi, não seja leviano; foi o Fernando Henrique Cardoso quem criou o cartão corporativo". Enrolou, enrolou e não respondeu a pergunta. Agora, essa notícia publicada hoje no site Terra, explica o motivo da recusa do presidente.


O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou que os gastos com cartões de pagamento do gabinete da Presidência da República considerados "sigilosos" somaram R$ 3,6 milhões nos oito primeiros meses deste ano. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, números oficiais mostram o crescimento nos gastos com cartões nos últimos anos.
A auditoria feita pelo TCU, que já detectou indícios de notas fiscais "frias" entre os comprovantes de despesas, mostra que as despesas somaram R$ 14,1 milhões em 2004; R$ 21,7 milhões em 2005; e, até agosto deste ano, se aproximavam de R$ 21 milhões, no total da administração direta.
Os detalhes dos gastos feitos pelo gabinete do presidente, porém, não são divulgados. Embora os pagamentos com cartões tenham sido autorizados no final do governo FHC, a regra que impôs sigilo aos gastos foi criada no governo Lula, em 2003, pelo Gabinete de Segurança Institucional.
A Casa Civil informou que aguardará a conclusão da auditoria para se manifestar. Em 2005, a assessoria da ministra Dilma Rousseff confirmou a existência de notas frias entre os documentos que comprovavam a compra de cartuchos de impressoras para a Presidência por R$ 3 mil.

Busque no dia 15 de setembro o post A preguiça é de Família? em que constam dados sobre os gastos da primeira dama, Marisa. A reportagem foi publicada na revista IstoÉ.

09 outubro 2006

Seria trágico, se não fosse cômico

Folha S. Paulo: Terceiro deputado federal mais votado em São Paulo, com quase meio milhão de votos, Clodovil Hernandes, 70, do PTC (Partido Trabalhista Cristão), admitiu em reportagem publicada pelo jornal argentino "Perfil", que pode aceitar dinheiro para votar a favor do governo quando estiver no Congresso. Ele já havia dito que não tinha nenhum programa político para o seu mandato.
"Vou aprender com os políticos com experiência, mas não me ensinarão a roubar porque eu, por pouco, não vou me sujar. Tudo dependerá de quanto me ofereçam para votar os projetos do governo", afirmou.
Questionado sobre qual seria o valor em dinheiro necessário para isso, respondeu: "Cada um pesa o dinheiro em sua própria balança. Eu não resolverei os problemas de ninguém. Aqueles que votaram em mim acreditando que eu iria solucionar os seus problemas se enganaram, isso é uma bobagem digna de quem foi mal colonizado".

Quem votou em Clodovil Hernandes estava pensando em quê na hora? Melhor ainda: quem votou em Clodovil está pensando o quê agora, depois de comprovar que o cara realmente não tem compromissos e se candidatou apenas com interesses espúrios e para incomodar a Marta Suplicy?
Concordo com a Luana quando ela diz que não perderá uma sessão da TV Câmara, já que certamente veremos coisas antes inimagináveis na Casa. No entanto, me entristeço por perceber que o povo brasileiro está tão mal representado no Congresso.
Agradeço por pessoas como essa não personificarem o caráter da maioria dos brasileiros, que são trabalhadores e honestos. Apesar de tudo.

O microfone de Alckmin


Alckmin rosna para o microfone

Minha irmã entrou na sala e perguntou: "Nossa, isso é um debate ou um filme de comédia?"
Ri muito mesmo, do microfone de Alckmin. O candidato tinha 2 minutos para responder, 1 minuto para réplica, outro para a tréplica e 45 segundos para perguntar. Mas ele não deveria ter relógio visível, porque extrapolava todas as vezes.
No início, Boechat o deixava terminar. Mas depois, a produção começou a cortar o microfone de Alckmin. Todas as vezes, o mediador precisava alertar: "Tempo, candidato..." E ele continuava falando, baixo, com o microfone cortado, tentanto fazer-ouvir.
A guerra entre Alckmin e o microfone rendeu boas risadas.

Debate... que bravata*








Pelo menos no perfil, Alckmin ganha de longe


*Bravata: 1 ato ou dito que reflete jactância, presunção a respeito de atributos pessoais, poderes etc., freq. com matizes de provocação; fanfarronada, parlapatice
2 ato ou dito insolente que envolve ameaça, intimidação
3 prova de força ou de coragem desnecessária e eventualmente danosa



Peço licença ao presidente Lula para usar no título a palavra que ele repetiu 230 vezes ontem, durante o debate com o presidenciável Geraldo Alckmin. "Chega de bravata, Alckmi... não faz o seu gênero..." dizia o presidente.

Lula e Alckmin saíram vencedores do debate, se é que se pode dizer que em debate há vencedor. Mas Lula saiu à sua maneira: vencedor apenas para o seu eleitorado, jogando baixo, abusando da ironia e posando de santo.
Alckmin, como não poderia deixar de ser, também desceu do salto, até certo ponto. Mas conseguiu sair-se bem aos olhos daqueles que vêem o presidente Lula como ele realmente é: dono de um palavrório populista, possivelmente herança dos tempos de sindicato.

É sempre bom ouvir o presidente falar para registrar algumas pérolas, como: "Nós fizemos em 4 anos o que vocês não fizeram em 4 séculos".
Alckmin, de pronto, pegou na veia: "Bom, o PSDB não tem 4 séculos, ainda..."
"As exportações dobrou..."; "Os procurador-geral da República..." e "Os telespectadores da rádio Bandeirantes que está assistindo esse debate..." (!!!)

Retomando a afirmação dos 'quatro séculos': é óbvio que Lula usou uma figura de linguagem e Alckmin entendeu, mas fez questão de levá-la ao pé da letra. Lula usa essa frase ridícula para dar a entender que o PT é diferente de tudo o que já houve no Brasil, diferente das elites governantes. Por isso divide em dois blocos: eles e nós. Mas já foi o tempo em que isso colou.

As agressões não paravam um instante.
A: "Quem escreveu o que o senhor está lendo está desinformado, porque o senhor está lendo as perguntas..."
L: "Estou lendo mesmo, porque não tive tempo de decorar perguntas; já o senhor, parece que fez uma aula de psicodrama"

A: "Ele (Lula) sabe tudo do governo FHC, é estranho que não saiba nada do seu governo"

O candidato Lula também aproveitou para colocar palavras na boca do outro e se apossar de seu discurso.
L: O senhor me critica por dizer que não sabia, mas quando eu lhe perguntei se o senhor sabia do PCC, o senhor disse que não sabia.
Mentira! Ele não perguntou isso e, portanto, Alckmin não respondeu.

Lula recebeu críticas pela falta de políticas para os jovens infratores e disse que esse é um problema que engloba a família, a sociedade como um todo. Essa havia sido a resposta de Alckmin, quando Lula questionou a fragilidade da Febem.

Logo na abertura, o presidente começou com aquela de nojeira de vangloriar seu governo, dizendo: "Alckmin, você deveria ter começado esse debate me agradecendo, por eu ter feito, junto com o povo brasileiro, esse país crescer como nunca antes na história..."
Realmente, cresce 2,3%, como nunca havia crescido...
Nessa primeira ocasião, ele ficou com discursinho e não respondeu a pergunta do mediador, Ricardo Boechat, sobre a necessidade de corte de gastos do governo.

E continuou ao longo do debate...

"Alckmi, não precisa ficar bravo.
Alckmi, você tem que reconhecer o que eu fiz pelo país, não custa nada...
Você tem que me agradecer por ter feito o Aeroporto de Congonhas..."
É nessa hora que eu queria estar no lugar do Alckmin para dizer:
"Eu não tenho que te agradecer, primeiro, porque você fez a obra para o povo, não para mim; segundo porque São Paulo faz parte do Brasil, é o maior estado do país, por isso, deve receber investimentos como qualquer outro.

As perguntas dos quatro jornalistas também foram prejudiciais a Lula, já que mostraram várias coisas ruins do governo. Mas para os eleitores do presidente, e para a claque presente no debate, o que vale são as afirmações dele dizendo que o concorrente tem que ser humilde, que está triste com a atitude dele, enfim, todas essa afirmações de gente sem vergonha. Por falar na claque, ela refletiu bem o presidente: sem educação, batendo palmas e rindo nas horas erradas, mesmo após dois pedidos do mediador para que parassem.
Cada um tem a platéia que merece.

05 outubro 2006

Clodovil em Brasília

Para quem não é paulista e não teve a oportunidade de ver o Clodô na TV.

03 outubro 2006

A primeira a gente nunca esquece - parte 3

7h00 - triiiim, triiiim
Ah, não, vou votar só a tarde... Opa! Mas tenho que trabalhar!
Levanta, corre, escova, 15 minutos até a rádio. Chega e não tem a senha do alarme.
Ai meu Deus, e essa locutora que não chega!

7h52
Entra, corre mais, 8h no ar.
"- Bom dia. A partir de agora as seções eleitorais estão abertas e começa o processo democrático de escolha dos representantes..."
Ok, agora liga. Ué, problema! Não faz ligação...
Vai no jornal, liga pra um, dormindo, outro, celular desligado, outra, na missa.
Aff... pra piorar...

10h00 - Chega ele, seu algoz.
Chato.
Arruma o telefone, pipocam ligações, fazem contato com rádios, cobrem o Paraná.
A cada uma hora no ar, giro pela região, votação tranqüila, homem morre em Piraquara... notícia, notícia, notícia.
Almoça, namora um pouquinho, volta! Agora até as 23h, direto. Acaba a votação, começa a apurar. Números e mais números. Fica no ar, manter a boa audiência.
Presidente, senador, governador, presidente, deputado, governador...

22h24 - 99,84% dos votos
"- Vamos embora?
- Não, esperar 100%."
Ai, ai, o pior é que amanhã é às 6h, de novo!
Mais água, boca seca, até dor de garganta.

23h - 99,95%
"- Vamos!"
Ufa!
Chega, come, toma banho e dorme. No outro dia...

05h30 - triiim, triiim
Corpo doe. Resquícios da primeira cobertura de eleição.

02 outubro 2006

Olha a lista!

Vou fazer um comentário sobre algo que não me diz respeito diretamente, mas, que indiretamente, afeta a todos: a bancada paulista no Congresso Nacional. A lista de deputados federais eleitos por São Paulo reúne bizarrices como Frank Aguiar (PTB) e corruptos como José Genoíno (PT).
Para começar, encabeçando a lista está Paulo Maluf (que despensa comentários), seguido de longe por Celso Russomano (sobre o qual não tenho informações precisas, mas encontrei indícios de denúncias de corrupção).
Em terceiro, quem aparece? O grande fenômeno de votação: Clodovil Hernandes. Isso mesmo, o ex-apresentador recebeu quase 500 mil votos e seguirá para Brasília (vai virar purpurina).
Na seqüência aparece Enéas, o ex-barbudo da bomba atômica, que, a meu ver, é o mais coerente da lista. Luiza Erundina, outro dinossauro da política; João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados conivente com a corrupção; Arlindo Chinaglia e Aldo Rebelo, da mesma lista.
Temos ainda Ricardo Izar (presidente do Conselho de Ética), Antonio Palocci (ex-ministro da Fazenda), Ricardo Berzoini (presidente do PT) e Valdemar Costa Neto (ex-presidente afastado do PL), todos envolvidos em escândalos de corrupção. Na 27 ª posição aparece o cantor Frank Aguiar.
Aff...

Dois Brasis

Os votos registrados no primeiro turno para as eleições presidenciais mostram a discrepância entre a ‘parte de cima’ e a ‘parte de baixo’ do Brasil. As regiões Norte e Nordeste dão Lula disparado. Peguemos como exemplo um estado de cada região.

Amazonas
Lula 1.070.408 (78.07%)
Alckmin 170.746 (12.45%)
Pernambuco
Lula 2.993.618 (70.93%)
Alckmin 964.730 (22.86%)

Já nos estados do Sul, a situação é bem diferente.

Rio Grande do Sul
Alckmin 3.460.730 (55.76%)
Lula 2.052.656 (33.07%)
Paraná
Alckmin 2.953.572 (53.01%)
Lula 2.111.589 (37.90%)

Por esses números, fica óbvio o motivo pelo qual o presidente Lula pratica um assistencialismo barato com o programa Bolsa Família, estimulando a pobreza e a ignorância de seus eleitores. A sorte de Alckmin mudou justamente com os votos de São Paulo. Se no maior estado brasileiro ele, que foi governador lá, tem uma margem de 54% dos votos, o governo deve ter sido satisfatório.

Susto
Mas o que realmente me impressionou foi a votação de Alckmin em Minas, onde o PSDB dominou o pleito com Aécio Neves. Lula venceu no estado, com 5.192.439 (50.80% dos votos); enquanto Alckmin teve 4.151.507 (40.62%). Aécio já declarou que vai trabalhar duro no segundo turno e é bom que faça isso mesmo!

Atraso justificado

Estou devendo um comentário sobre o debate na Rede Globo com os candidatos à presidência. Não o fiz antes unicamente por falta de tempo. Agora que a votação já passou, minha opinião sobre isso será, talvez, irrelevante. No entanto, como boa cabeça dura, vou escrevê-la assim mesmo.
A falta do presidente Lula ao debate não me surpreendeu. Acredito que a coordenação de campanha tenha achado ‘menos pior’ a ausência do presidente naquele momento. Por motivos óbvios, seus adversários estava sedentos pelo encontro e ávidos pela oportunidade de um choque direto. Especialmente a senadora Heloísa Helena. E o presidente perderia em qualquer espécie de argumentação, já que não tem capacidade de argüição.
Na realidade, Heloísa era a que mais botava medo em Lula. Primeiro, porque conhece o PT; segundo, porque não tem papas na língua. O argumento do presidente de que o nível do debate seria baixo, não é verdade, porque os três candidatos que estavam presentes são pessoas de alto nível.
Resta saber agora se Lula fugirá também do debate direto com Geraldo Alckmin, para o segundo turno. Ele se verá forçado a ir, não há saída. Pelo menos nenhuma que pareça coerente ou que não arranhe ainda mais a imagem já ruída de Lula.