08 agosto 2006

A democracia sumiu nas campanhas

O Jornal Nacional iniciou ontem entrevistas ao vivo com os “principais” candidatos à Presidência da República. Por que coloquei aspas? Simples: não concordo com o critério usado por eles para selecionar os “principais”.
As entrevistas começaram ontem e vão até quinta-feira. Hoje, é a vez da senadora Heloísa Helena, talvez a mais esperada. Restam Lula e Cristovam Buarque.
Volto a defender a democracia nas eleições. Por que não entrevistar Luciano Bivar, José Maria Eymael e Rui Pimenta? Se eles são candidatos, têm projetos de governo, por mais utópicos que sejam. Mas vamos a Alckmin...

Entrevista de tirar o fôlego

Dez minutos de Jornal Nacional é bastante tempo. No entanto, torna-se pouco entrevistar um candidato à presidência. Por isso, o que se viu ontem foi um Bonner sério, como sempre, porém questionador, e uma Fátima Bernardes atribulada, correndo contra o tempo. Em meio às respostas, que Geraldo Alckmin falava calmamente, e as perguntas dos jornalistas, não havia tempo para respirar.
Surpreendeu-me mais a postura dos dois apresentadores do que a do candidato. Alckmin, como é costumeiro aos políticos, começou não respondendo diretamente à primeira pergunta, “Como a política de segurança pública de São Paulo pode servir de exemplo para o Brasil?”
O tucano apresentou índices de diminuição de homicídios, mas depois se enrolou e disse que não se tratam de ladrões. Piorou a situação, já que os sagazes jornalistas se atentaram para a contradição e disseram que os atentados partem da verdade de terroristas. O candidato foi abrigado a admitir a ação de guerrilhas.
Depois, Fátima Bernardes disse que sobraram R$ 2 bilhões nos cofres municipais quando Alckmin deixou o governo de SP. No entanto, o tucano desmentiu a informação e disse que não sobrou dinheiro algum. Argumentou e caiu novamente no lugar comum “no meu governo não vamos relaxar, não temos medo de cara feia”.
No que diz respeito à corrupção dentro do PSDB, os jornalistas quiseram saber por que Eduardo Azeredo, comprovado beneficiário do mensalão, não foi punido com rigor. Alckmin rodeou e deu a entender que ainda não estava provada a culpa de Azeredo.
Gostaria de ser uma das entrevistadoras nessa hora para lembrar que, no caso das Sanguessugas, que se desenrola em meio à campanha, Paulo Feijó foi imediatamente expulso do partido. Bastante conveniente!
A entrevista foi bem feita, bastante severa, apesar do tempo escasso. Só espero que esse rigor se repita na entrevista com o presidente Lula. Só aí vamos saber as verdadeiras intenções do JN, porque ele sempre tem uma.

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