05 agosto 2006

Bandido condecorado

"Bacharel em Direito. Essa é a nova ambição de um dos mais ilustres presidiários brasileiros, o traficante Fernandinho Beira-Mar..." (www.parana-online.com.br)

O traficante é atualmente o único detento do presídio federal de Catanduvas, no oeste do Paraná. Fernandinho Beira-Mar passa 24 horas por dia com um policial olhando para ele na cela individual. A diária do "famoso" bandido está custando nada menos que R$ 38 mil, já que ele está usufruindo sozinho da estrutura do presídio, por enquanto.
Tenho nojo dos órgãos de imprensa que endeusam criminosos como Beira-Mar e Marcola, líder do PCC. Para mim, adjetivos como "ilustre" só são usados para autoridades que realmente mereçam e outras pessoas com representação positiva na sociedade, não para aqueles que cumprem penas por crimes hediondos, como tráfico de drogas.
Além disso, a ambição do "astro" no momento deveria ser apenas deixar a cadeia, mas não, ele pretende estudar para ser advogado (hei de convir, no entanto, que temos visto bacharéis da laia de Beira-Mar).

"Beira-Mar não está em Regime Disciplinar Diferenciado, e por isso tem direito a visitas íntimas, a primeira reivindicação do traficante quando foi transferido, no mês passado"

Um bandido pode fazer reivindicações! Não posso afirmar, mas acredito que isso aconteça só no Brasil, não pode ser uma política mundial! Bandidos são bandidos, poxa vida. Imagino a conversa de Beira-Mar com o diretor do presídio e o secretário de Segurança Pública.
- Feito cara, eu vou, mas com duas condições: eu quero estudar, vocês podem falar que eu tenho bom comportamento e me liberar pras aulas...
- Tudo bem, tudo bem...
- e tem outra, a mais importante: eu quero vê minha muié, uma vez por semana!
- Fechado.

"Isso ainda não aconteceu. A pessoa que fará a visita precisa ser cadastrada e passar por uma avaliação. Ele não vai ficar recebendo mulheres diferentes todas as vezes"

A frase é do diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Maurício Kuehne, que não diz mais do que o esperado. Só faltava o traficante ter liberdade para fazer um bacanal na cadeia, ora essa!

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Sou favorável a políticas de redução de pena através do estudo ou de trabalho dentro da cadeia, porém, os detentos têm que ser colocados no lugar deles, como pessoas que infringiram leis graves e causaram danos irreparáveis à sociedade. Vou citar um exemplo que acontece no Vale do Ivaí, em Mauá da Serra. Um chamado "preso de confiança" (alcunha totalmente contraditória) rendeu o carcereiro enquanto trabalhava, exigiu que um companheiro fosse solto e fugiu em seguida. Dá pra confiar?

Um comentário:

Leonardo disse...

Pois é Cecília... é o que falta pra confirmar De Gaulle.
Mudando um pouco, e não mudando muito; o que você achou da entrevista do Alckmin no Jornal Nacional?