31 agosto 2006

** Lampejo **

As mazelas brasileiras bem retratadas em frases de Millôr Fernandes.

Uma coisa que eu garanto como candidato: se vocês todos votarem em mim, dentro de um ano estarão profundamente arrependidos.

Achar que podemos deixar alguém nos restringir parcialmente a liberdade é igual a achar que podemos perder parcialmente a virgindade.

O capitalismo não perde por esperar. Em geral ganha 6% ao mês.

Um banqueiro pode escrever falsa literatura. Mas vá um escritor falsificar um cheque.

Político profissional jamais tem medo do escuro. Tem medo é da claridade.

Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder.

Além de transformarem o Brasil num cassino, viciaram a roleta.

Brasil, condenado à esperança.

*Milton Fernandes (1924) nasceu no Meyer, em 16 de agosto. Mas na carteira de identidade consta: 27-05-1924. Iniciou a profissão de jornalista em 1938. Em 1941, aos 17 anos, descobriu que não se chamava Milton, mas Millôr. Trabalha na revista O Cruzeiro. 1960 estréia a peça Um elefante no Caos. Escreveu peças, livros, e em 2000 estreou o site Millôr Online.

30 agosto 2006

José Janene acredita que se reelegeria para deputado federal com mais votos do que na última eleição.
Olha, eu acho que eu faria muito mais votos do que na última. Pelo que se apresenta aí. Ele está obviamente tirando sarro da cara do povo, atestando a burrice dos brasileiros. Janene está vendo a facilidade com que os políticos comprovadamente corruptos estão conquistando votos (pelo quadro apresentado nas pesquisas), por isso acredita que seria bem votado.
A entrevista do deputado licenciado e, para quem não se lembra, acusado de ser um dos maiores beneficiários do esquema do mensalão, está disponível no blog de Rogério Galindo, na Gazeta do Povo Online. Quando perguntado sobre seus votos, vejam só.
- E para presidente?
Para presidente voto no Lula, sem pestanejar.

É, certamente ele nunca teve tanta mamata quanto no governo do petista, por isso nem pensa a respeito. Ah, o processo de cassação contra ele vai a julgamento apenas após as eleições, quando estará mais frio que freezer no inverno.
Janene tem motivos para comemorar!

29 agosto 2006

** Lampejo **

Ausência**

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados.

*Vinícius de Moraes, (1913-1980) poeta, compositor, intérprete e diplomata brasileiro, nasceu no Rio em 19 de setembro e faleceu na mesma cidade em 09 de julho. Escreveu seu primeiro poema aos sete anos. Fez curso de Direito no Rio e de Literatura Inglesa em Oxford. Ingressou na carreira diplomática, por concurso, em 1943. Interessado em cinema, foi crítico e censor cinematográfico. Aos 19 anos publica seu primeiro livro de versos, Caminho para a Distância. Na década de 60 junta-se a jovens músicos no movimento conhecido como Bossa Nova. Compôs, junto com Tom Jobim, a música Garota de Ipanema, símbolo de uma época. Escreveu também poesias infantis.
**trecho

28 agosto 2006

** Lampejo **

O seu santo nome

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão
acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente,
não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra que é toda sigilo e nudez,
perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

*Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, em 31 de outubro. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". Em BH, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas. Alvo de admiração irrestrita, Drummond morreu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

A primeira a gente nunca esquece - Parte 2

“Que pressa”
- Os caras já chegaram lá, tenho que fazer a foto, porcaria!
Acelera... freia... corre!
Nunca tinha entrado naquele prédio velho, feio, sujo e aparentemente macabro.
- Vem, Ceci, entra aqui!
Os três parados, algemados, de cabeça baixa. Asassinos... nunca tinha visto um de tão perto, e já comecei com três!
- Tenho que ‘levar eles’. Pronto, já fotograram?
Ufa, acabou... não?
Um fugitivo recuperado.
- Levanta a cabeça pra imprensa moleque, não teve vergonha de roubar não né..
Frase de polícia que me lembrou programa policial trash.
Flashes e mais flashes, parece artista!
- Ah, é o Dilsinho...
“Bom, talvez ele seja mesmo...”
- Vamos embora?
- Ainda não... uma entrevista com o delegado.
"Mais 10 minutos e eu me acostumo..."

26 agosto 2006

Memória longa aos brasileiros!

Ações do governador Roberto Requião já demonstraram seu desequilíbrio emocional, no entanto, não me lembrava do "caso Ferreirinha", que confirma sua probreza de caráter.
Para ser mais sincera, não sabia da história, que ocorreu em 1990, quando a política nem se atrevia a disputar minha atenção com a boneca Barbie.
Nas eleições daquele ano, Requião disputava o cargo de governador com José Carlos Martinez (PTB), falecido em 2003 em um acidente aéreo. As pesquisas davam vitória a Martinez. Aí veio o golpe fatal.

Uma semana antes da votação, o programa eleitoral gratuito de Requião cedeu espaço para certo João Ferreira, apresentado como Ferreirinha, que por trás de óculos escuros e boné se identificou como matador de agricultores a serviço da família Martinez. Os eleitores paranaenses deram a vitória a Requião.
A farsa foi desmascarada antes da posse, quando a Polícia Federal descobriu que Ferreirinha era, na verdade, o motorista Afrânio Luis Bandeira Costa. Com base na descoberta, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná concluiu que houve crime eleitoral e cassou o mandato de governador de Requião, que nem sequer havia tomado posse do cargo. (www.senado.gov.br)

No entanto, o caso foi arquivado por erros no processo e o tal Ferreirinha nunca mais foi visto (segundo meu pai, ele era de Apucarana!)
Agora, nas eleições de 2006, deputados da Coligação Voto Limpo, que tem Rubens Bueno na disputa para governador, classificaram como irresponsabilidade a manipulação das declarações de um diplomata dos Estados Unidos no horário eleitoral de Roberto Requião. O diplomata desmentiu à imprensa ter manifestado qualquer apoio à candidatura do atual governador ou feito elogios à administração do Porto de Paranaguá. (isso eu vi!)
Resta saber se trata-se de mais uma manipulação suja do governador para conquistar votos. Vale lembrar que em 2002, Requião declarou que "venderia a alma ao diabo para se eleger".
Não dá para confiar mais quatro anos a uma pessoa sem caráter.

25 agosto 2006

Para o bem de todos e felicidade geral...

Um homem idoso atravessou a Praça dos Três Poderes, e falou com o "Dragão da Independência" que montava guarda ao estabelecimento:
"Por favor. Eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Lula."
O soldado olhou para o homem e disse:
"Senhor, o Sr. Lula não é mais presidente e não mora mais aqui há algum tempo."
O homem disse "Está bem" e se foi.
No dia seguinte, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e falou com o mesmo "Dragão":
"Por favor. Eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Lula."
O soldado novamente disse:
"Senhor, como lhe falei ontem, o Sr. Lula não é mais presidente nem mora aqui já há algum tempo."
O homem agradeceu-lhe e novamente se foi. No terceiro dia, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio Alvorada e falou com o mesmo guarda:
"Por favor. Eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Lula."
O soldado, compreensivelmente irritado, olhou para o homem e disse:
"Senhor, este é o terceiro dia seguido que o senhor vem aqui e pede para falar com o sr. Lula. Eu ja lhe disse que ele não é mais o presidente nem mora mais aqui há algum tempo. O senhor não entendeu?"
O velho homem olhou para o brioso soldado e disse:
"Sim, eu compreendi perfeitamente, mas eu adoro ouvir isso!"
O soldado ficou em posição de sentido, prestou uma vigorosa continência e disse:
"Vejo-o amanhã, senhor!!!"

** Lampejo **

Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

*Oswald de Andrade ((1890-1954) nasceu em São Paulo em 11 de janeiro. Filho de família rica, estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, em 1912, viajou para à Europa. Em Paris, entrou em contato com o Futurismo. Conheceu Kamiá, mãe de Nonê, seu primeiro filho. De volta a São Paulo fez jornalismo literário. Ao lado de Mário de Andrade e de outros intelectuais, organizou a Semana de Arte Moderna de 1922. Em 1924 publicou, pela primeira vez, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil. Casou-se com Patrícia Galvão (Pagu) , com quem teve Rudá. Em 1936, casou-se com a poetisa Julieta Bárbara e em 1944, mais um casamento, agora com Maria Antonieta D'Aikmin, com quem permaneceu junto até a morte.

24 agosto 2006

Kómikós horário eleitoral

"De que vale a fama sem a grana?
É o mesmo que olhar o pasto e não comer a grama"

Não entendeu nada né? Pois então, minha reação foi de surpresa quando ouvi essa frase de um candidato a deputado estadual durante o horário eleitoral. Ele assume que se candidatou apenas para ficar rico?

"A palavra 'nepotismo' vem do nome de um escorpião que suga o sangue da própria mãe. Os políticos praticam o nepotismo quando nomeiam parentes para cargos públicos e estes sugam o nosso dinheiro"

Viu só? Horário político também é cultura.
Temos ainda figuras únicas como o candidato 'Berro' e outros que usam slogans criativos, como O SENADOR COM O CHEIRO DO POVO!

23 agosto 2006

Será o fantoche responsável por seus movimentos?

Hoje tirei o dia para atacar o presidente. A declaração abaixo é do ator consagrado, Carlos Vereza, sobre a pessoa de Lula e o PT, feita no Programa do Jô. É longa, mas vale a pena ler inteira.

O Lula é uma invenção da USP, Unicamp e das comunidades eclesiásticas de base, com aval do falecido Golbery de Couto e Silva. Porque o Lula, que foi capa seguidas vezes de revistas prestigiadas, dividiu a esquerda que estava voltando do exílio, como Brizola e Luis Carlos Prestes, que se sacrificaram realmente contra a Ditadura.
Então, quer dizer, o que era um grande líder metalúrgico, transformou-se na glamourização do ‘apedeuta’, da ignorância. É um sujeito fronteiriço. Ele agora diz que nunca se fez no mundo tantos benefícios ao trabalhador como ele fez, é um delírio absoluto, um megalômano.
O PT foi a oposição mais feroz contra todas as tentativas boas e generosas que se tentou colocar em prática nesse país, como se eles tivessem o monopólio da virtude, da verdade, da moralidade. E chegam ao poder agora sem projeto de governo, sem uma idéia para formar um rosto pra esse país.
A América Latina, que dizem que está dando uma guinada pra esquerda, é mentira, ela está dando uma guinada para o populismo e o autoritarismo.


Apedeuta. que não tem instrução.

Encontrei em alguns sites referências ao general Golbery do Couto e Silva e as articulações dos militares para fazer de Lula um fantoche. Segundo essas informações, eles temiam que Leonel Brizola assumisse o poder, por isso, precisavam construir liderança popular tão carismática quanto, porém bem mais fraca para ser o centro das atenções da esquerda.

Esse vídeo, já editado, nos faz recordar as antigas lutas do presidente Lula. Quem é a camada dominante hoje, que luta contra as greves?

Falta de educação

O governador Roberto Requião chamou ontem o candidato do PPS, Rubens Bueno, de “semi-analfabeto”. Os dois iniciaram uma briga acirrada, já que Bueno é o principal crítico do governo do peemedebista.
A ofensa, impensada, como a maioria das declarações do governador, incitou uma discussão entre os meus colegas de trabalho. Deve ser exigido um grau mínimo de instrução dos governantes brasileiros?
Rubens Bueno tem ensino superior completo, era professor de Ensino Médio. Requião também possui formação superior, bem como Osmar Dias (PDT), Antonio Melo Viana (PV), Flávio Arns (PT), Luiz Adão Marques (PSDC) e Luis Felipe Bergman (Psol).
Já Ana Lúcia Pires (PRTB), apesar de constar como professora de ensino fundamental, tem superior incompleto, assim como Jorge Luis Martins (PRP); Antonio Roberto Forte (PSL) e Ivo Souza (PCO) têm apenas ensino médio.

Em âmbito nacional, a situação educacional dos candidatos é confortável. Todos os disputantes têm ensino superior completo, exceto... O PRESIDENTE LULA! Que foi novamente apontado como vencedor no primeiro turno pelo Datafolha. O dirigente maior do país tem o ensino fundamental, nada mais.
Surpreendeu-me a opinião de um dos meus colegas, que por sinal, não tem ensino superior. Para ele, deveria ser exigido de todos aqueles que ambicionam cargos públicos, formação superior, de preferência, em administração.

É revoltante lembrar que para ser balconista de loja hoje, os patrões exigem formação superior e para governar 180 milhões de pessoas isso não é pré-requisito...

** Lampejo **

Fantástico! Luís Vaz de Camões:

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

*Luís Vaz de Camões (x-1580) era português e a data de seu nascimento é imprecisa. Serviu como soldado em Ceuta, por volta de 1549, aí perdendo um olho. Em 1552, de regresso a Lisboa, esteve preso durante oito meses por ter ferido, numa rixa, Gonçalo Borges, um funcionário da corte. Em 1560 estava em Goa, convivendo com algumas das figuras importantes do seu tempo. Em 1569 iniciou o regresso a Lisboa. Sua obra mais famosa é Os Lusíadas. Camões morreu a 10 de Junho de 1580, ao que se diz, na miséria.

22 agosto 2006

** Lampejo **

Este poema de Patativa do Assaré é bem propício para o momento de indignação política que vivemos:

O que mais dói

O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.

*Patativa do Assaré (1909-2002) nasceu no Sítio Serra de Santana, a 18 Km de Assaré, no Ceará. Tem 6 livros publicados e sabe todos os milhares de versos que escreveu. Frequentou escola por apenas seis meses, e começou a fazer versos influenciado pela literatura de cordel.

Certeza da impunidade

Apenas dois deputados acusados de envolvimento no escândalo das sanguessugas renunciaram para escapar da cassação e manter os direitos políticos. Além de Coriolano Sales (PFL), que já havia renunciado, Marcelino Fraga (PMDB) abriu mão de seu mandato no final desta segunda-feira.
O prazo para deixar o cargo e manter os direitos políticos, podendo, inclusive, ser candidato nas eleições de 2008, terminou à meia-noite de ontem. É estranho que aquele que renuncia, ou seja, que assume seus crimes, possa se candidatar.
Bom, e por que só dois renunciaram? Simplesmente porque não haverá punição. Assim como aconteceu no caso do mensalão... Os deputados nem se darão ao trabalho de renunciar.

Exemplo vivo de que é uma perda de tempo é o deputado paranaense José Borba (PMDB). Ele renunciou ao mandato por ser acusado de receber dinheiro sujo. Porém, se arrependeu, já que ninguém foi punido. Hoje, ele tenta se candidatar novamente.
O único processo remanescente desse imbróglio foi o do também paranaense José Janene (PP), que será julgado só depois das eleições. Vocês acham que alguém vai dar a devida importância para isso depois do processo eleitoral? Não... tudo cairá no esquecimento e ele sairá impune sem a menor reação da sociedade.

Quem é quem nessa história?

Ontem, uma notícia do Jornal Nacional chamou a atenção. Tendo como gancho a identificação de um possível suspeito do seqüestro do repórter Guilherme Portanova, foram reveladas informações sobre a organização dos grupos criminosos, responsáveis pelos ataques em São Paulo.
Eles têm caixa 2 para pagar propina. Sim! Como os políticos do mensalão. Isso não devia indignar ninguém, já que é uma prática de bandidos, nada mais natural que eles pratiquem. No entanto, a comparação que automaticamente fazemos com os políticos é que nos enfurece.
Os bandidos ensinaram os políticos ou os políticos ensinaram os bandidos? Ou será tudo a mesma coisa?

21 agosto 2006

Brasil afora...


É assim que o nome do presidenciável do PSDB está exposto em um muro na capital mineira, Belo Horizonte. Como lembrou Josias Souza em seu blog, do qual foi devidamente 'retirada' essa imagem, BH é a terra de José Maria Alckmin, ministro da Fazenda de Juscelino Kubitschek.
Se lá estão trocando Alchmin por Álkimi, imaginem nos estados do Nordeste, onde 'Geraldo' é um ilustre desconhecido!

A primeira a gente nunca esquece

Esperava mesa, cadeiras, microfones e gravadores alinhados...
- Boa noite, Cecília. Pode entrar.
Na realidade...
- Não consta seu nome, não entra
- Mas...
Insistência - está aí!
- Ah, sim... entra, não, espera...
Ufa! Portas se abrem após uma série de topadas.
Cadê? Prensado na parede
Me esgueiro para alcançar sua boca com o gravador
Enfim, gritos, repórteres parecem fãs desvairados à beira do palco
Aperto, empurra-empurra, uma pergunta!
Acabou, saiam todos...
Ãh... demora toda pra isso?
Sim, bem vindo ao mundo das coletivas!

** Lampejo **

Mais Cecília Meireles, hoje, dedicado ao Hugo:

Cânticos- verso IV

Adormece o teu corpo
com a música da vida.
Encanta te.
Esquece te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Quere ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca te pelo Desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti?

19 agosto 2006

** Lampejo **

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

*Cecília Meireles (1901-1964) nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de novembro. Órfã muito cedo, foi educada pala avó materna. Concluiu, em 1917, o Curso Normal, e passou a trabalhar como professora primária. Dois anos depois publicou Espectros, seu primeiro livro de poesia. Seguiram-se Nunca Mais... e Poema dos Poemas e Baladas para El-Rei. A Academia Brasileira de Letras concedeu a Cecília, postumamente, o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, em 1965.
Encontro Memorável
Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café "A Brasileira", em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo escritor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.

18 agosto 2006

** Lampejo **

Espaço reservado hoje para Mário Quintana (dedicado a Luana).

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

**
Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início das eras.
Pensa que está somente afogando problemas dele, João Silva...
Ele está é bebendo a milenar inquietação do mundo!"


*Mário de Miranda Quintana (1906-1994) nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos aprendeu a ler tendo como cartinha o jornal Correio do Povo. Lançou o primeiro livro em 1940, A Rua dos Cataventos. Canções foi seu segundo livro, em 1946. Faleceu em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo dos 87 anos.

17 agosto 2006

** Lampejo **

Dizem que idéias boas devem ser copiadas, por isso, inauguro hoje a sessão "Lampejo". Diariamente, publicarei versos, poemas e poesias que inspiram e também um breve relato sobre o autor. O espaço também está aberto para quem acordou com um poema que gosta na cabeça e gostaria de publicá-lo. Nada melhor para o "lançamento" do que Fernando Pessoa.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


*Fernando Antônio Nogueira Pessoa (1888-1935) nasceu a 13 de junho de 1888 em Lisboa. Iniciou o curso de Letras, mas o abandonou. Começou escrevendo poemas heterônimos, ou seja, com outros nomes. Dirigiu a Revista "Atena" e colaborou com a Revista "Presença". Pessoa morreu de tuberculose, aos 47 anos.

Incoerência partidária

O candidato à presidência da República, José Maria Eymael, do PSDC, defende com veemência a fidelidade partidária. No entanto, as evidências mostram que isso não existe mais na campanha eleitoral brasileira. O candidato Geraldo Alckmin, por exemplo, não conta com o apoio de todos os candidatos de seu partido, o PSDB.

Em Minas Gerais e São Paulo, onde Aécio Neves e José Serra são candidatos ao governo, respectivamente, o tucano não apareceu na propaganda eleitoral. Ao contrário dos candidatos petistas, que exploram a imagem de Lula. Em Pernambuco, o candidato do PFL, partido da coligação do PSDB, chegou ao cúmulo de colocar o presidente Lula na propaganda!

O problema é que a população não entende a importância da ideologia. Ninguém se importa se PFL e PT juntos seria um incoerência, caso fossem levadas em consideração as ideologias que nasceram com esses partidos.

16 agosto 2006

Fato distorcido

Recebi um e-mail da minha amiga Luana, que dizia o seguinte:

ALKIMIN aposentou-se aos 42 anos. Documento do INSS obtido pela coluna (de Cláudio Humberto, no Correio Brasiliense) mostra que o candidato a Presidente Alkimim não pode reclamar da vida: a aposentadoria especial para anistiado político, concedida em 1996 e requerida um ano antes, retroagiu a 5/10/1988 ( !! 8 anos de"retroação"!!), um dia antes de ele completar 43 anos. O candidato a presidente tinha 22 anos de serviço, na ocasião. O benefício, que em 2005 totaliza R$ 8.862,57, está devidamente isento do pagamento de imposto de renda.

Achei estranho, já que Alckmin é médico, porém nunca exerceu a profissão em função da carreira política. Também não tinha informações sobre a militância dele durante o período militar. O que encontrei, como desconfiava, foi o seguinte:

LULA não pode reclamar da vida, recebe uma aposentadoria especial para anistiado politico segundo documento do INSS. Recebe como se na ativa estivesse. O que ocorre efetivamente é que Lula JAMAIS foi anistiado, porque NUNCA foi cassado nem caçado...
A PARTIR DAQUI O TEXTO É IDÊNTICO:
Lula se aposentou aos 42. Documento do INSS obtido pela coluna mostra que o presidente Lula não pode reclamar da vida: a aposentadoria especial para anistiado político, concedida em 1996 e requerida um ano antes, retroagiu a 5/10/1988, um dia antes de ele completar 43 anos. O companheiro presidente tinha 22 anos de serviço, na ocasião.

(postado no site Mídia Independente)

Certamente essa história pertence ao presidente Lula. Em um blog, dizia que militantes petistas (benderblog.wordpress.com/2006/07/31) mudaram a informação e plantaram a notícia com o nome de Alckmin. É bem provável que tenha sido escrito pelo próprio Lula, considerando-se a grafia errada (ALKIMIN) do nome do candidato tucano.
O e-mail termina com uma frase de Ruy Barbosa, bem propícia para a situação:

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se da justiça, e ter vergonha de ser honesto!"

15 agosto 2006

Adjetivo certo para o político errado

Entrei hoje no site oficial do PT. O que eu estava fazendo por lá? Procurando algumas informações sobre o candidato ao governador do Paraná, Flávio Arns. No entanto, nem cheguei a pesquisar as informações, pois me detive diante do título de um artigo “Heloísa, a histriônica”.
O autor do artigo é Ernesto Marques (diretor da Associação Bahiana de Imprensa). Nesse exato momento fiz uma busca para saber o significado da palavra histriônica, que até então era uma incógnita para mim.

do Lat. Histrione s. m., ant., bobo, palhaço; fig., homem hipócrita, abjecto pelo seu procedimento; charlatão; comediante; vil, farsante.

O que dizer de um militante petista, partido onde Heloísa Helena começou sua carreira política, que classifica a candidata com tal palavra? Ele é votante do presidente Lula, com certeza, por isso me admira muito mais que chame a candidata de hipócrita e charlatã. Ela pode ser várias coisas, até radical, porém ignorante e farsante são adjetivos cabíveis ao Excelentíssimo Senhor Presidente, Lula.

O Brasil tem 33 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas com menos de quatro anos de estudo; e 16 milhões de pessoas com mais de 15 anos que ainda não foram alfabetizadas.

Esses dados são do IBGE e mostram uma realidade desoladora: 49 milhões de pessoas, ou 27,2% da população brasileira, não sabem ler. Incluo os funcionais na soma, porque, hoje, analfabeto não é só aquele que não sabe ler e escrever, mas quem não sabe interpretar.
Não há como progredir na vida, ter uma carreira, disputar com concorrentes cada vez mais habilitados se não soubermos interpretar. Hoje, as entrevistas de emprego exploram a astúcia, a capacidade de entender nas entrelinhas e, acima de tudo, de fazer comentários inteligentes. Obviamente que essas pessoas não estão preparadas para isso.

Os países que compõem a Comunidade de Países de Língua Portuguesa têm dados semelhantes aos do Brasil. Em Moçambique, por exemplo, o índice de analfabetismo atinge 56, 2% da população...

Não podemos comparar o Brasil a Moçambique, que tem pouco mais de 16 milhões de habitantes e sobrevive quase exclusivamente da agricultura. A pesquisa traz os números também de Cabo Verde, que tem 25% da população analfabeta e São Tomé e Príncipe, onde a taxa é de 20%.
É desolador, triste e parece sem jeito.
O analfabetismo foi também um dos pontos mais explorados no debate de ontem. Cristovam Buarque disse que não está preocupado em "baixar a taxa de juros, mas a taxa de analfabetismo".
Seja quem for o próximo a sentar na cadeira da presidência (que não seja o mesmo), que a educação seja mesmo a maior meta.
Amém!

Debate amistoso

O debate de ontem dos candidatos à presidência da República foi bom, produtivo. Gostei de ver a cadeira reservada para Lula vazia ao lado de Heloísa Helena e era óbvio que ele não iria encarar um debate na posição em que se encontra. Uma, porque está na frente nas pesquisas. Outra, porque, se comparecesse perderia pontos, já que sua inferioridade intelectual seria confrontada com a inteligência de Cristovam Buarque e ele não entenderia 10% do que Heloísa fala. Além da astúcia de Geraldo Alckmin e da surpresa da noite: José Maria Eymael. Senti que Luciano Bivar estava um tanto quanto perdido.
Na primeira parte, quando foram feitas perguntas de candidato para candidato, o clima era amistoso. Confesso que não assisti o primeiro bloco, mas me informei de que Buarque, ao ser perguntado por Heloísa, se solidarizou com a candidata antes de responder a questão. Ele criticou o PT por espalhar comentários de que ela acabaria com o Bolsa Família.
As perguntas eram feitas conforme a conveniência. Como havia réplica e tréplica, parece óbvio que cada um faria a pergunta sobre um tema interessante para que ele próprio pudesse replicar. Quando os jornalistas Franklin Martins, Joelmir Beting e José Paulo de Andrade iniciaram as perguntas, aí houve algumas provocações. Mas nada que esquentasse o clima.
Os cinco candidatos presentes lembraram a todo o tempo a falta do presidente Lula (o que a candidata do Psol chamou de desrespeito ao eleitorado) e fizeram críticas duras ao governo (como era previsível).
A Rede Globo não anunciou nenhum debate, apenas entrevistas. Porém, é de esperar que eles queiram fazer o último antes das eleições. E aí sim, com a presença de Lula. Se isso acontecer, obviamente será após algum 'acordo entre amigos'.

11 agosto 2006

Atuação pífia

Como já era de se esperar foi esse o desempenho do presidente Lula na entrevista de ontem no Jornal Nacional, ou melhor, no Palácio da Alvorada. Estava ansiosa para ver como William Bonner e Fátima Bernardes conduziriam a entrevista e não me espantei com nada.
Foi a única, da série de quatro exibidas pelo JN, que não surpreendeu em nenhum momento, ou sacudiu os ânimos, ou acrescentou algo aos eleitores. O presidente continua com seu discurso vazio. Sem dados, sem provas, sem resultados. Desde o dia em que assumiu o governo, Lula não parou de fazer campanha.
Na entrevista de ontem foram abordados apenas dois assuntos: corrupção e segurança pública (para esse, 1 minuto apenas). Para as duas questões o presidente deu a mesma resposta: “A Polícia Federal nunca prendeu tanto quanto prende agora”. É a mesma lógica daquela afirmação imbecil feita por Bonner na entrevista de Cristovam Buarque, de que o número de analfabetos no país continuou o mesmo em 2002 e 2005.
Claro, a população cresce. E a bandidagem aumenta. Portanto, é de se esperar que a polícia prenda mais.
Não posso deixar de destacar os lapsos do presidente, que confundiu “corrupção” com “ética” e soltou um: “tudo aumenta, menos os salários. Quer dizer, a inflação...”
Além das concordâncias esdrúxulas como “as pessoas... vai”.
O peixe morre pela boca.
Não acrescentou nada, apenas reafirmou sua incapacidade intelectual, com uma retórica cansativa, e incompetência para conduzir o governo e representar o povo.

Minha ansiedade agora é para ver o debate na próxima segunda-feira, dia 14, na TV Bandeirantes. Aí sim o circo pode pegar fogo!

10 agosto 2006

Em vão...

Lá vou eu atrás do fato polêmico que emana como fel da boca dos moradores daquela rua distante
Folhas por todos os lados, é o que relatam
São obrigados a limpar, já que o poder público não resolve
Que dificuldade para encontrar o local exato (jamais acharia se tivesse o amontoado de folhas como referência)
Ruas e calçadas limpas por uma diarista
Morreu a foto, morreu o fato...
Sempre foi assim, não há nada demais, diz
Interrompo a conversa, rádio chamando, palavras entrecortadas
Mulher, queda, supermercado, bombeiros, desespero
Saímos em disparada, avenida movimentada, para chegar e... desapontamento
A mulher anda normalmente, caiu de uma altura de um metro, sem conseqüências
Ok, voltamos e tentamos salvar as folhas (quem sabe abrindo o saco de lixo e despejando na calçada?)
Vizinha não atende a porta... desilusão
Voltamos, ainda há o pai-avô que criou o netinho
- Alô, quem fala, Sueli, o seo Jair por favor
- Ele não pode falar, teve derrame e seqüelas
- Ah... desculpe... bola-fora
E o pai solteiro, boa pauta!
- Prefiro não falar sobre o assunto, não me sinto bem
E agora? nada, cansei...
Dia inócuo.

"Era uma vez... Cristovam Buarque"

O título não é pejorativo, de modo algum. Concordo com a prioridade que o candidato do PDT dá a educação. Refiro-me apenas à fala calma, transmitindo certa fragilidade, como se fosse um ser fictício, utópico.
Depois da entrevista de Buarque ontem, no Jornal Nacional, fiquei com a impressão de que ele seria capaz de colocar tudo em seus devidos lugares no Brasil, porque dá prioridade à coisa mais importante e necessária: a educação.
As idéias dele são coerentes, no entanto, a corja que certamente o rodearia se fosse eleito não permitiria a execução delas, já que o dinheiro teria que sair limpinho para os projetos dele. Isso, como se sabe, parece impossível aos políticos brasileiros.
Em resumo, Buarque não se deixou acuar pelos entrevistadores que pareciam querer vê-lo cair em contradição e fraquejar. Até agora, Alckmin foi o que pareceu mais medroso e não soube aproveitar o tempo de entrevista para apresentar projetos.

Agora, o que significou aquela pergunta do William Bonner sobre o analfabetismo? Não sei se propositadamente, mas demonstrou uma falta de noção, parecia pergunta de “foca”.
O desempenho dele e da Fátima Bernardes ontem foi pífio, medíocre. Desde o primeiro dia eles estão usando os escassos onze minutos para fazer pegadinhas com os candidatos, mas ontem extrapolaram.

09 agosto 2006

Sou uma aficionada por dados numéricos. Por isso, ao receber um e-mail de protesto, comum em período eleitoral, não poderia deixar de fazer os cálculos.
Um trabalhador brasileiro paga em média 27,5% do seu salário em impostos. Com os 72,5% ainda tem que pagar todas as contas e sustentar a família. Bom, isso não é novidade, mas vale a pena relembrar.
No Paraná, este ano, cada cidadão pagou, em média, R$ 2.402,86 em impostos. É como se uma pessoa que recebe um salário mínimo mensal tivesse trabalhado cinco meses e meio apenas para pagar impostos.
Ok, revoltante. Mas vai ficar pior!
Cada deputado recebe R$ 12 mil de salário, R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 7 mil para despesas comprovadas, R$ 3,8 mil para alguma outra coisa que não me recordo agora, R$25,4 mil por convocação extraordinária e R$ 35 mil de verba de gabinete. Ah, e eles ainda têm 13º e 14º salários. Isso para cada um dos 514 ilustres.
Como de costume, peguei minha calculadora para me indignar ainda mais.
O resultado?
R$ 110,2 mil para cada um deles e mais de R$ 56 milhões gastos no total.

Entrevista frenética

A candidata Heloísa Helena, do Psol, conseguiu sacudir a bancada e quebrar a monotonia do Jornal Nacional, ontem à noite. Com uma entrevista de apenas dez minutos ela conseguiu deixar seu recado e expor parte do programa de governo, coisa que Geraldo Alckmin não conseguiu na segunda-feira.
A culpa não foi do tucano, mas sim dos apresentadores que não fizeram uma única pergunta sobre projetos. A impressão que eles passam é que querem descobrir o caráter dos candidatos, coisa difícil de conseguir em uma vida, que dirá em dez minutos!
Heloísa Helena tem sorte de falar alto e ter bastante fôlego para não se deixar interromper pelo grave de William Bonner. Estou ansiosa para ver a entrevista com Lula amanhã. Como postei ontem, só aí saberemos a verdadeira intenção do JN.
Colocar o presidente no último dia já foi uma bela estratégia (eles falam em “sorteio”, mas há controvérsias). As pessoas têm mais facilidade para se lembrar do que vêem por último.

TSE cancela registro de candidatura do PRP à presidência

O Tribunal Superior Eleitoral negou ontem o pedido para registro da candidatura de Ana Maria Rangel à Presidência da República. Ana Maria havia se registrado pelo Partido Republicano Progressista. A impugnação da candidatura já havia sido pedida duas vezes. Uma, pelo Ministério Público Eleitoral, em 18 de julho, e outra, pelo delegado nacional da legenda, Oswaldo Souza Oliveira, que alegou que a convenção nacional do partido foi anulada.
O PRP já havia decidido, na última sexta-feira, expulsar Ana Maria Rangel do partido, por "graves lesões à imagem da sigla". No requerimento, o PRP ressaltou que, com a expulsão, ela não pode ser candidata, pois a Lei Eleitoral prevê que o registro pode ser cancelado, até a data da eleição, se o candidato for expulso do partido.

08 agosto 2006

A democracia sumiu nas campanhas

O Jornal Nacional iniciou ontem entrevistas ao vivo com os “principais” candidatos à Presidência da República. Por que coloquei aspas? Simples: não concordo com o critério usado por eles para selecionar os “principais”.
As entrevistas começaram ontem e vão até quinta-feira. Hoje, é a vez da senadora Heloísa Helena, talvez a mais esperada. Restam Lula e Cristovam Buarque.
Volto a defender a democracia nas eleições. Por que não entrevistar Luciano Bivar, José Maria Eymael e Rui Pimenta? Se eles são candidatos, têm projetos de governo, por mais utópicos que sejam. Mas vamos a Alckmin...

Entrevista de tirar o fôlego

Dez minutos de Jornal Nacional é bastante tempo. No entanto, torna-se pouco entrevistar um candidato à presidência. Por isso, o que se viu ontem foi um Bonner sério, como sempre, porém questionador, e uma Fátima Bernardes atribulada, correndo contra o tempo. Em meio às respostas, que Geraldo Alckmin falava calmamente, e as perguntas dos jornalistas, não havia tempo para respirar.
Surpreendeu-me mais a postura dos dois apresentadores do que a do candidato. Alckmin, como é costumeiro aos políticos, começou não respondendo diretamente à primeira pergunta, “Como a política de segurança pública de São Paulo pode servir de exemplo para o Brasil?”
O tucano apresentou índices de diminuição de homicídios, mas depois se enrolou e disse que não se tratam de ladrões. Piorou a situação, já que os sagazes jornalistas se atentaram para a contradição e disseram que os atentados partem da verdade de terroristas. O candidato foi abrigado a admitir a ação de guerrilhas.
Depois, Fátima Bernardes disse que sobraram R$ 2 bilhões nos cofres municipais quando Alckmin deixou o governo de SP. No entanto, o tucano desmentiu a informação e disse que não sobrou dinheiro algum. Argumentou e caiu novamente no lugar comum “no meu governo não vamos relaxar, não temos medo de cara feia”.
No que diz respeito à corrupção dentro do PSDB, os jornalistas quiseram saber por que Eduardo Azeredo, comprovado beneficiário do mensalão, não foi punido com rigor. Alckmin rodeou e deu a entender que ainda não estava provada a culpa de Azeredo.
Gostaria de ser uma das entrevistadoras nessa hora para lembrar que, no caso das Sanguessugas, que se desenrola em meio à campanha, Paulo Feijó foi imediatamente expulso do partido. Bastante conveniente!
A entrevista foi bem feita, bastante severa, apesar do tempo escasso. Só espero que esse rigor se repita na entrevista com o presidente Lula. Só aí vamos saber as verdadeiras intenções do JN, porque ele sempre tem uma.
Educação cabe em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo!

Nosso governador pode até ter feito benfeitorias, e poderia até estar com a razão no ato mostrado no vídeo. Porém, falta de educação e desrespeito não são justificáveis em nenhuma ocasião, ainda mais quando vindas de uma "autoridade".
Em Arapongas, no norte do estado, na mesma época do ocorrido, Requião também desacatou professores que pediam aumento salarial. Além disso, chegou às vias de fato com um agricultor em Londrina (isso na presença de um jornalista do JL). A assessoria tentou negar, mas o jornal publicou a notícia.
Bom, Requião deve estar na oração dessas pessoas, como ele pede, só não se sabe com qual intenção.

05 agosto 2006

Bandido condecorado

"Bacharel em Direito. Essa é a nova ambição de um dos mais ilustres presidiários brasileiros, o traficante Fernandinho Beira-Mar..." (www.parana-online.com.br)

O traficante é atualmente o único detento do presídio federal de Catanduvas, no oeste do Paraná. Fernandinho Beira-Mar passa 24 horas por dia com um policial olhando para ele na cela individual. A diária do "famoso" bandido está custando nada menos que R$ 38 mil, já que ele está usufruindo sozinho da estrutura do presídio, por enquanto.
Tenho nojo dos órgãos de imprensa que endeusam criminosos como Beira-Mar e Marcola, líder do PCC. Para mim, adjetivos como "ilustre" só são usados para autoridades que realmente mereçam e outras pessoas com representação positiva na sociedade, não para aqueles que cumprem penas por crimes hediondos, como tráfico de drogas.
Além disso, a ambição do "astro" no momento deveria ser apenas deixar a cadeia, mas não, ele pretende estudar para ser advogado (hei de convir, no entanto, que temos visto bacharéis da laia de Beira-Mar).

"Beira-Mar não está em Regime Disciplinar Diferenciado, e por isso tem direito a visitas íntimas, a primeira reivindicação do traficante quando foi transferido, no mês passado"

Um bandido pode fazer reivindicações! Não posso afirmar, mas acredito que isso aconteça só no Brasil, não pode ser uma política mundial! Bandidos são bandidos, poxa vida. Imagino a conversa de Beira-Mar com o diretor do presídio e o secretário de Segurança Pública.
- Feito cara, eu vou, mas com duas condições: eu quero estudar, vocês podem falar que eu tenho bom comportamento e me liberar pras aulas...
- Tudo bem, tudo bem...
- e tem outra, a mais importante: eu quero vê minha muié, uma vez por semana!
- Fechado.

"Isso ainda não aconteceu. A pessoa que fará a visita precisa ser cadastrada e passar por uma avaliação. Ele não vai ficar recebendo mulheres diferentes todas as vezes"

A frase é do diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Maurício Kuehne, que não diz mais do que o esperado. Só faltava o traficante ter liberdade para fazer um bacanal na cadeia, ora essa!

**
Sou favorável a políticas de redução de pena através do estudo ou de trabalho dentro da cadeia, porém, os detentos têm que ser colocados no lugar deles, como pessoas que infringiram leis graves e causaram danos irreparáveis à sociedade. Vou citar um exemplo que acontece no Vale do Ivaí, em Mauá da Serra. Um chamado "preso de confiança" (alcunha totalmente contraditória) rendeu o carcereiro enquanto trabalhava, exigiu que um companheiro fosse solto e fugiu em seguida. Dá pra confiar?

04 agosto 2006

Heloísa Helena em ascensão

A candidata do Psol apareceu na pesquisa divulgada hoje pelo CNI/Ibope com 11% das intenções de voto. Ela foi a única a crescer na pesquisa. Notícia boa! Porém, de acordo com os números, Lula seria eleito no primeiro turno, com 44% dos votos. Notícia ruim! Alckmin caiu, tem 25%. Mesmo assim, ele declarou que está a um passo do segundo turno. Precipitação do tucano (isso é apenas uma referência ao partido do candidato).
A propaganda eleitoral ainda nem começou e, como afirmou um cientista político no primeiro semestre deste ano, campanha no Brasil só se define após o início do horário eleitoral gratuito.
Outra dado importante refere-se a rejeição de Lula que subiu de 28% para 32%. Essas pessoas não votariam nele de jeito nenhum. O CNI/Ibope mostrou ainda que a falta de confiança no governo cresceu 2 pontos, chegando a 36%.
Mas temos que tirar o chapéu para a estratégia do PT que desvinculou a imagem do presidente de toda essa sujeira e roubalheira que se instalou no congresso. Isso, entre outras coisas, explica o fato de um presidente medíocre como esse ainda ter uma intenção de voto tão expressiva.

Candidatos unusitados

Em um país tão grande não poderia deixar de existir figuras pitorescas como candidatos nas eleições de outubro.

Miguel Mossoró disputa uma vaga como deputado estadual pelo Rio Grande do Norte. As duas principais propostas do camarada são TREM BALA e LEITE ENCANADO. Sim! Leite encanado!!! Bom, não encontrei nenhuma entrevista em que Mossoró explique a viabilidade de seus projetos, porém, para ele "não existe nada impossível nessa Terra".
Em alguns momentos ele demonstra que todas essas idéias não passam de um delírio, pois afirma ainda (espero que como metáfora) que vai construir uma escada para o céu e outra para o inferno. Embora isso deva ser uma figura de linguagem usada para caracterizar a punição a políticos corruptos, Mossoró afirma que, com vontade, até mesmo esse projeto se concretizaria! Aiaiai...

Bom, a mais inusitada candidatura com certeza é de José de Souza Pinto a deputado estadual. Ele é viúvo e também mora no Rio Grande do Norte. Porém, mesmo que seja eleito, Pinto não deverá ter muito tempo para governar, isso porque ele tem nada menos que 101 anos!!!

02 agosto 2006

Quantos candidatos à Presidência tem o Brasil?




A pergunta parece absurda e desnecessária. Porém, para aqueles que se guiam pela Rede Globo existem apenas SEIS candidatos na disputa para o cargo mais elevado da República Federativa do Brasil.
Hoje pela manhã, coincidentemente, critiquei a maneira como a emissora tem feito a cobertura do "dia dos candidatos". Faço a crítica pelo seguinte: Lula (PT), Alckmin (PSDB), Heloísa Helena (Psol), Cristovam Buarque (PDT) e José Maria Eymael (PSDC) têm espaços praticamente iguais dentro dos jornais (Hoje e Nacional), quase sempre com oportunidade para alguma declaração. Porém, para Luciano Bivar, do PSL, não foi concedida até hoje a oportunidade de se pronunciar nos telejornais de maior audiência do país. Todos os dias, ele é mencionado rapidamente e sua foto aparece por, no máximo, 10 segundos na tela.
Questionei isso com um colega jornalista e fui alertada de que, se para Bivar a Globo concede espaço ínfimo, para Ana Maria Rangel (PRP) e Rui Pimenta (PCO) esse espaço simplesmente não existe. Daí a minha questão no título do post. O Brasil tem, na realidade, OITO candidatos para o cargo de presidente e os dois "invisíveis" estão nas fotos acima.