28 junho 2006

Patriotismo em xeque

Confesso que estou em dúvida quanto à força do meu patriotismo. Não sei se ele resistirá a mais essa Copa do Mundo. Na partida de ontem torci mais pelo país que recebeu os escravos libertos no Brasil do que para a minha própria seleção (que não me leiam os fanáticos por futebol!). A compaixão por aqueles homens de cor negra, brilhantes, com passados possivelmente difíceis e salários, com certeza, mais baixos que os das nossas estrelas, falou mais alto.
Mas será que jogos de Copa do Mundo são um bom termômetro para medir patriotismo? Penso que seria melhor para o país que a seleção perdesse o título e voltasse para casa no próximo sábado. Já temos cinco estrelas, pô, que ganância quer a sexta enquanto nenhum outro país passou da terceira! Como comparou com sutileza o Vinícius, em seu blog ‘Cheiraqui’, essa Copa mais parece uma versão recauchutada do “pão e circo para o povo”.

26 junho 2006

Picuinhas

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou na Convenção do PSDB, neste final de semana, que o governo do PT só ganha do governo tucano em “corrupção, escândalos e publicidade”. Realmente, em escândalos temos certeza que sim. Já em corrupção, não podemos afirmar. Pode ser que os tucanos escondam melhor que os petistas, demonstrando, pelo menos, mais inteligência.
Já em relação à publicidade, a soma de gastos de Lula nos três primeiros anos de governo chegou a R$ 903,7 milhões, contra R$ 488 milhões dos três últimos do governo FHC. O aumento foi de 85% no governo do PT. (dados do “Estado”)
As acusações ao gasto exagerado de Lula com publicidade aconteceram também, no ano passado, que não era eleitoral, quando o deputado do PFL José Carlos Aleluia, disse que “se existe alguma competência na gestão Lula é a de fazer publicidade”.
Vale lembrar que PFL e PSDB são aliados, portanto o “pé atrás” é sempre necessário. Aleluia fez questão de lembrar que o programa Luz para Todos, explorado pela publicidade petista, é, na verdade, genuinamente tucano, e não passa de uma continuação do programa Luz no Campo, de FHC.

23 junho 2006

O Paraná inaugurou hoje a primeira Penitenciária Federal de Segurança Máxima do país. Uma cerimônia marcada pela presença de autoridades, como o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, e policiais carrancudos armados, aconteceu em Catanduvas, Noroeste do Estado.
Agora serão trancafiados nessa unidade, em celas individuais, os bandidos mais perigosos do país, como Marcola, líder do PCC. Infelizmente, comemoramos a inauguração de uma penitenciária que custou aos cofres do governo R$ 20 milhões, dinheiro que poderia ser investido em escolas, não fosse a situação precária em que se encontra o sistema carcerário brasileiro.
Novamente bato na tecla do investimento na educação, apesar de parecer chato e idealista. Porém se as escolas públicas brasileiras tivessem qualidade e a maioria da população pudesse freqüentá-las, não seria necessário a construção de um presídio desse porte. Hoje comemoraríamos a edificação de uma grande escola profissionalizante, ou mesmo uma faculdade federal, onde não haveria celas individuais, mas comunitárias, possibilitando a troca de experiências e idéias entre os alunos.

21 junho 2006

Sinto que sou exageradamente complacente. Em situações de injustiça, ou rigor excessivo tenho o costume de analisar todos os lados, inclusive o do agressor e compreender seus motivos. Até onde isso é uma qualidade e quando passa a ser falta de capacidade de análise da situação é meu dilema atual.
Não existe uma justiça universal, o que e justo para mim não o é para o meu chefe. Nesse caso, invariavelmente. Porém, alguns cometem injustiças e fazem sofrer gratuitamente, sem motivo real. Percebo que o amor é a variável responsável por essa maneira de agir dos poucos amados. Quem não recebe amor não sabe devolver amor. Mesmo que pessoas de bom coração insistam em ter uma relação fraterna e de cumplicidade com esses indivíduos “sem amor”, jamais terão o retorno desejado.
Apesar de parecer filosofia bíblica realmente se encaixa na realidade, como a peça que faltava no quebra-cabeça.

16 junho 2006

"Não dê o peixe, ensine a pescar", lema da LBV

O deputado petista Nilson Mourão propôs uma lei que obriga a dublagem para a língua portuguesa dos filmes produzidos em idioma estrangeiro. Pelo projeto, os exibidores que infringirem esta determinação estarão sujeitos à multa de 5% sobre a renda diária média da bilheteria, multiplicada pelo número de dias de ocorrência da infração.
O deputado argumenta que o uso das legendas em português impede a compreensão dos filmes por milhares de brasileiros que, infelizmente, não dominam a leitura. "As deficiências de leitura dos estudantes brasileiros e os índices altíssimos de analfabetismo funcional constituem um dos motivos que impedem a democratização do cinema como alternativa de entretenimento e cultura para a maioria da população brasileira", avalia o parlamentar.
No entanto, o cinema brasileiro também não é prestigiado pelo público, talvez pelo alto preço cobrado pelos cinemas, ou por falta de cultura mesmo. Particularmente, tenho preferência por filmes legandados, porque preservam o diálogo original. Podemos perceber várias mudanças nas dublagens em relação ao sentido original da frase.
A idéia de obrigar a dublagem de todos os filmes age no mesmo sentido da instituição de cotas obrigatórias para negros nas universidades do país: consertar o erro de cima para baixo. Ao invés de ensinar a população a ler e adquirir o hábito de leitura, eles preferem facilitar a compreensão dos filmes.

14 junho 2006

Ronaldo, rechonchudo descartado

Tenho a impressão de que Ronaldo ("Fenômeno") está sem a menor vontade de jogar futebol. Ontem, parado na área durante o primeiro tempo do jogo da Croácia, era como se ele rezasse para a bola não chegar até os pés dele. Como se tivesse medo daquilo; como se preferisse não jogar a fazer um papel feio. Por isso se esquivava.
Eu estava trabalhando durante o jogo, percorrendo algumas empresas onde os funcionários se reuniram para assistir a partida. No momento em que Parreira fez a substituição de Ronaldo (chamado de "gordo" por um dos membros da torcida, a cada aparição) foi como se tivesse saído um gol da seleção. A vibração foi imensa e o jogo realmente parece ter ganhado outro ritmo.
Podemos subtrair desse episódio a idéia de que Ronaldo só foi levado para essa Copa por motivos midiáticos, por assim dizer. A força da mídia e dos contratos milionários assinados com ele.
Fica certo, pelo menos, que o "quadrado mágico" de Parreira perdeu um dos lados.

13 junho 2006

Indecisão é quando queremos uma coisa, mas sabemos que a outra é correta

Decisão é uma palavra fácil de ser dita e difícil de ser praticada. Não porque não se sabe o que se quer, mas porque se quer tudo. A dificuldade existe justamente por esse pequeno e prepotente detalhe que nos impede de admitir que somos incapazes de executar tudo o que abraçamos. Queremos ser oniscientes e onipresentes e capazes de tudo. Não somos.
E nos frustramos por isso.

06 junho 2006

A tortura pelo mundo

Um trabalhador russo foi encontrado nu e acorrentado a uma árvore em uma floresta próxima à cidade de Belogorsk, na Rússia. O homem de 34 anos, que não teve o nome revelado, estava sendo punido por realizar um trabalho mal feito, segundo a polícia local.
Segundo a publicação MosNews, ele aparentava ter apanhado e estava algemado.

À polícia, ele disse ter sido punido por se recusar a realizar um trabalho ilegal. Ele teria ficado pelo menos 24 horas na floresta, antes de ser encontrado por trabalhadores de uma ferrovia próxima. O chefe está sendo processado e pode pegar até dois anos de cadeia pelo ataque.

“Até dois anos”. Deveria ser “no mínimo” DEZ anos. Esse tipo de crueldade encontra várias correlações na história, como a tortura dos judeus pelos nazistas ou a tortura da ditadura militar ou, ainda, a escravidão dos negros no Brasil.

05 junho 2006

Continua a polêmica...

O governo do Irã voltou a prevenir os Estados Unidos hoje. O aiatolá de nome impronunciável (Ali Khamenei) disse que os embarques de petróleo do Golfo Pérsico podem ficar comprometidos se os norte-americanos derem um passo errado. Segundo o aiatolá, "para ameaçar o Irã, vocês [os EUA] dizem que podem garantir os movimentos de petróleo nessa região, mas eles deveriam saber que qualquer mau comportamento colocaria em perigo a segurança do setor de energia da área".
Os Estados Unidos querem impedir que o Irã continue com seu programa de enriquecimento de urânio, mesmo o país jurando de pés juntos que o programa nuclear tem fins pacíficos. O aiatolá não especificou qual seria o mau comportamento que poderia gerar a paralisação dos embarques de petróleo, mas acrescentou que a administração iraniana não tem a intenção de entrar em guerra com nenhum governo.
Quem quer guerra são os Estados Unidos. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, ressaltou que o Irã é muito dependente das receitas do petróleo (realmente, 80% do Orçamento do Irã vem do petróleo) para interromper o fluxo do produto, por isso eles não devem estremecer com a declaração do aiatolá, que acrescentou ainda: "Não somos ameaça para ninguém. Temos o compromisso com nossos interesses e aspirações nacionais".
O problema é que os Estados Unidos têm interesse em barrar os interesses e aspirações de qualquer país que atravesse a sua “autoridade” mundial.
O Irã é um dos 11 membros da OPEP (Organização dos países produtores de petróleo) e produz 3,9 milhões de barris por dia. Os outros 10 produzem juntos pouco mais de 19 milhões de barris. Os Estados Unidos compram 25% do petróleo usado pelos norte-americanos.